Carta aberta ao meu espelhinho.

Olha, não tem sido fácil. Semana passada me peguei pensando o porquê da gente ser tão triste. Parece que a gente força, que a gente complica, esmaga, prende, martela. Fica aquela vozinha na minha cabeça "'é melhor ser alegre que ser triste', já dizia o poeta, moça", mas como ser alegre se a única coisa que quero é dormir e só acordar quando um dia não pareça mais durar um ano? Vivo tentando ser feliz enquanto sinto esse aperto, essa corda ao redor do pescoço ameaçando enforcar se eu decidir pular em direção ao abismo, ao mesmo tempo em que o chão parece cada vez mais queimar meus pés, forçando uma tentativa de fuga. Qual a alternativa diante de tanta podridão aqui dentro? Acho que, quando eu morrer, vão perceber que meus órgãos estão pretos, vai estar tudo preto por eu ter sido uma fumante da tristeza. Como se eu tivesse inalado a infelicidade do mundo e tivesse me contaminado com a escuridão que tudo é. Pra completar tudo é dezembro, e dezembro é o pior mês. Todo mundo finge estar feliz, mesmo todos sabendo que a vida está uma bosta e não faz sentindo comemorar o Ano Novo se as coisas parecem sempre se repetir. Essa época é a pior do ano e eu pisei em você sem querer, desculpa. Me sinto perdida se não tenho mais onde verificar se ficou sujeira no meu dente. Me sinto meio ninguém sem você dentro da minha carteira. Mas sabe o que é pior? Não ter mais onde olhar pra me lembrar de mim enquanto digo "Sossega, moça, não pula. Deixa o chão queimar teus pés um pouquinho... Relaxa que logo sara". Vai sarar.


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Stuck in reverse.

É isso. Eu não sei o que fazer da minha vida, não sei pra onde ir e muito menos o que quero. O pior é que não consigo nem mesmo enxergar um caminho que eu possa seguir. Cheguei num ponto da vida onde todos parecem focados numa porta à frente enquanto eu apenas decidi frear. Você já assistiu Lost in Translation, da Sophia Coppola? Nesse momento eu sou esse filme, eu sou Charlotte, eu sou o quarto de hotel, eu sou Bob Harris, eu sou as ruas de Tóquio. Eu sou todo aquele vazio buscando uma razão pra existir, um sentindo. Preciso desesperadamente de um motivo pra continuar quando, pra falar a verdade, eu já desisti. A única coisa que eu tinha planejado pra minha vida eu deixei pra trás... Sabe Cristina, em Vicky Cristina Barcelona? Ela não sabia o que queria, mas sim o que não queria. Eu também sou Cristina. Estou bebendo vinho num restaurante e procurando um pouco de aventura, porque eu não sei o que esperar do momento a seguir. Preciso me embriagar. Lembra quando Izzie ficou no chão do banheiro chorando a morte de Denny? E nada mais parecia fazer sentindo. Nem ninguém. Estou chorando minha morte... mas sem banheiro, sem Denny, sem chão. Estou sem chão. Olho o relógio e não sei o que significam as horas. Eu só quero dormir enquanto tudo o que preciso é acordar. Por favor, alguém me dê a mão e me tire daqui. Deite no chão do banheiro comigo e me diga que logo mais eu posso tirar minhas roupas e me livrar do passado. Arranque essa pá das minhas mãos e me proíba de continuar cavando uma cova. Eu só quero ser feliz. Eu só quero sair daqui. Estou perdida, Barcelona e Tóquio têm me enganado e as coisas sempre morrem...
Eu só queria que tudo voltasse ao normal.


E se eu nunca tivesse o cortado o fio, será que Denny continuaria aqui? 




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Inteira.

Quis te abraçar, te levar comigo, te acordar num domingo de manhã e fazer outras coisas sabor vontade, mas tudo o que fiz foi me manter calada olhando uma parede descascada, cheia de sonhos rasgados que outrora e sempre tive. Aquele cigarro nunca mais será o mesmo sem você e a cerveja gelada passou a ter gosto de decepção amarga, azeda, triste. Até meu filme preferido parece preto e branco, mudo, logo eu nunca gostei de filmes sem cor, logo eu que sempre gostei de zoada, logo eu... Você me abraçava como se em teu abraço morasse o melhor do mundo e me fez acreditar que teus beijos tinham gosto de noite de inverno embaixo de um cobertor quente e que tuas mãos podiam criar obras de arte e que teus olhos poderiam ver mais além do que Légolas seria capaz e que você era sonho em vida. Era tudo mentira. Me doeu tanto que não sei mais o que é verdade. Me dilacerou tanto que já não sou inteira. Você me mostrou a morte e hoje eu não sou mais.



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Des-exista, por favor.


Decidi escrever pra desabafar, desafogar, desiludir. Era tudo um quadro negro esperando a próxima frase-palavra-metáfora-mentira e você jogou um balde de água, embaçou tudo e me impediu de ler. Des-existiu. Eu só queria saber o resto da história e transformar as mentiras em verdades, mesmo que por um dia, mesmo que por algumas horas, mesmo que durante um único beijo. Durante um leve roçar de barba e pelos e rostos e corpos e mãos e cheiros e vontade. Ainda acho que a gente se encontra, e ainda acho que eu te beijo, te sinto, te tenho e me encanto. Ainda acho que a gente precisa des-existir dentro de mim, porque a dúvida, o não-aconteceu, o o-que-poderia-ter-sido e o quero-que-aconteça estão me consumindo, me destruindo, me rasgando. Ainda acho que eu te preciso, só pra depois de tudo eu poder dizer “não te preciso mais”, porque é assim que eu sou e você quase me mudou. Você quase, quase conseguiu. Seria mais fácil se tivesse conseguido, se eu tivesse apaixonado, se eu tivesse experienciado, se eu tivesse te tido.  Só queria dizer que eu aqui continuo tentando. Eu aqui continuo existindo, eu aqui continuo querendo, eu aqui continuo. Cadê você?

E isso nada mais é do que palavras e frases repetidas, assim como eu continuo te repetindo dentro de mim. 


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Da minha rotina.


Há duas verdades absolutas sobre a minha vida: sou a pessoa mais desorganizada do mundo e morro de medo de fantasma.  A partir dessas informações, a história a seguir se justificará.
A lâmpada do meu quarto está queimada e eu estava procurando um brinco às 00h28am. Decidi usar a luz do meu celular e comecei a procurar, e então, no silêncio e no breu do meu quarto escuto um sussurro: “Lorena”. Gelei. Coração parou, coração acelerou, coração pediu arrego.  Parei e prestei atenção: “Lorena... Lorena?”. É isso, amigos, é isso, irmãos, é isso, Brasil... tinha chegado minha hora. Era a morte me chamando, ou uma alma, ou o que quer que fosse, mas tinha alguém me chamando e não parecia engano.
Pensei na minha família e em como só descobririam que eu estava morta lá pelas 16h, já que eu dormir até umas 15h é a coisa mais normal do mundo. Era meu fim e eu ainda nem tinha corrido pelada na avenida mais movimentada da cidade, era meu fim e eu nem tinha tomado um porre na noite passada, era meu fim e eu não beijei essa semana, era meu fim, meus caros, e eu morreria sem um tostão no bolso...
Respirei e aceitei meu destino. Dei uma última olhada no meu quarto, meu belo refúgio, dei uma conferida no meu corpo, meu gordo abrigo, dei uma olhada nas minhas mãos, minhas úteis ferramen... Eita, peraí, o quê é isso? Adivinhem, meus colegas, meus amados, meus companheiros: liguei pra minha mãe sem querer e nem percebi.
Respirei e aceitei meu destino: eu sou muito idiota mesmo e não há mais o que fazer.
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Das cartas que fiz - 1


Desde a hora que acordei que pego o celular e penso "ligo ou não ligo?", "mando mensagem ou não mando mensagem?"... Não sei, no fim descobri que eu queria era fazer o mesmo que você fez, escrever uma carta à mão, como nos bons e velhos tempos onde a maior preocupação das nossas vidas era arrumar um jeito da gente não ser punida na coordenação da escola... Sei que a vida anda difícil, que as coisas não são como esperávamos que seriam, que o coração aperta e a mente explode, mas sei também que a gente continua firme, em pé, se apoiando e se mantendo. De tudo na vida que tenho, das coisas mais bonitas, das mais lindas, eu tenho você num dos melhores lugares. Queria poder te dar um beijo, um abraço, esfregar minha tatuagem do pescoço na sua da canela, porque somos idiotas e isso é o tipo de coisa que a gente faz, mas principalmente, eu queria fazer tudo isso só porque significaria estar ao teu lado. Não sei como andam as coisas por aí, se está chovendo (dentro e fora de você), ou se está sol (idem), mas espero que pelo menos esteja no meio termo e um arco-íris de cinco mil cores se forme no seu céu. Se não conseguir, deixa que a gente colore, que a gente pega amor e colore o ar com nossas risadas. No fundo, no fundo, isso tudo é pra dizer que te amo.

Os parabéns eu deixo pra depois e pra todos os dias. Na minha vida e na minha história todos os dias são seus.

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Do pedaço que falta.


Se do riso fez-se o pranto e da calma fez-se o vento, do amor fez-se o vazio.
E, como sempre e não mais que de repente, a gente só quer ser preenchido.
E (se) preencher.
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Desilusão ortográfico-amorosa.


Lá estava eu, no meio da festa, das luzes, das pessoas e da música. E no meio do caos eu encontrei você. Camisa branca, sorriso tímido, olhos semicerrados e um quê de mocinho. E no meio do caos você me encontrou, e no meio de tudo a gente se quis.
Foi uma dessas madrugadas que duram horas e vão embora em segundos. A manhã veio e o Sol derreteu todos os nossos sonhos de uma noite de inverno num lugar onde é sempre verão. Lembro que pensei “Eu que sou tão exigente só quero continuar aqui contigo”, então a gente começou a dançar, para logo se despedir e talvez não nos vermos mais.
E essa teria sido uma linda história de amor de uma noite só, não fosse a Internet. E o Facebook. E o bate-papo do Facebook. Sabe aquela hora que você perguntou “eai linda lenbra de me”? Eu tive vontade de sair correndo, xinguei a tecnologia, a globalização, a educação brasileira, a velhinha rabugenta da padaria e até Shonda Rhimes por ter matado little Grey antes dela se ajeitar com o Mark, mas pouco pude fazer... Então, olha, é o seguinte, eu lembro de você sim, mas a partir daquele momento tudo o que eu quis foi te esquecer.
E digo mais: os não letrados que me perdoem, mas ortografia correta é fundamental.
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Lá.


Escrevo porque preciso inventar e reinventar minha vida que, de tão monótona, se fez ficção. Não sei fazer verso, nem prosa, nem poesia. Não sei ser letra, palavra ou oração. Só sei ser fantasia. E numa noite de sol estrelado, verde como o céu, brinco de ser palavra jogada ao vento que de tão pesado parou de voar. Segurei-me num suspiro para ver se saía correndo, e os meus, mais fortes que qualquer ventania, me levaram exatamente para onde eu queria estar: dentro de mim.

E dentro de mim é o melhor lugar do mundo, mesmo que pra isso eu precise mentir.
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Da boa solidão.


Eu gosto de ficar só. Apenas isso, eu gosto. Querer ficar sozinha é sinônimo de doença e corre, vamos diagnosticar, olha, ela é antissocial, olha, ela é depressiva, olha, ela está triste, olha, pobre coitada, corre, precisamos salvá-la. Que planeta é esse em que alguém só é legitimamente alguém se estiver numa mesa de bar rodeado de gente e com fome de gente e com jeito de gente? Eu gosto de minha companhia, eu gosto de não estar na companhia dos outros, eu gosto de não ter que dar satisfação, eu gosto de não estar em todos os lugares só porque eu não quero. Mas ninguém entende. Vez em quando eu saio de casa só pra sair do meu cercadinho, só porque eu chego à conclusão que “está na hora!”, e me jogo no álcool, e me jogo na música, e me jogo na vida, e me torno gente como todos querem que eu seja, como todos querem que eu esteja, mas eu nunca estou ali de verdade. E as pessoas ligam: “Cadê você?”, e as pessoas mandam mensagens “Você sumiu!”, e os amigos falam “Estou com saudade”. E eu sempre respondo: “Estou aqui, eu estou aqui! Mas não vem me visitar agora não, tá? Vamos marcar de sair? Qualquer dia desses...”. E eu amo as pessoas, e eu amo ser gente, e eu queria conhecer todos os lugares do mundo, e todas as pessoas do mundo, e ser gente em cada canto do mundo, mas o problema é que eu gosto de ficar só. E ficar só hoje em dia não pode... Não pode ficar só, tá? Coitadinha, eu to aqui pra qualquer coisa, viu? Estou com saudades, te amo. 
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