Eu gosto de ficar só. Apenas
isso, eu gosto. Querer ficar sozinha é sinônimo de doença e corre, vamos
diagnosticar, olha, ela é antissocial, olha, ela é depressiva, olha, ela está
triste, olha, pobre coitada, corre, precisamos salvá-la. Que planeta é esse em
que alguém só é legitimamente alguém se estiver numa mesa de bar rodeado de
gente e com fome de gente e com jeito de gente? Eu gosto de minha companhia, eu
gosto de não estar na companhia dos outros, eu gosto de não ter que dar
satisfação, eu gosto de não estar em todos os lugares só porque eu não quero.
Mas ninguém entende. Vez em quando eu saio de casa só pra sair do meu
cercadinho, só porque eu chego à conclusão que “está na hora!”, e me jogo no
álcool, e me jogo na música, e me jogo na vida, e me torno gente como todos
querem que eu seja, como todos querem que eu esteja, mas eu nunca estou ali de
verdade. E as pessoas ligam: “Cadê você?”, e as pessoas mandam mensagens “Você
sumiu!”, e os amigos falam “Estou com saudade”. E eu sempre respondo: “Estou
aqui, eu estou aqui! Mas não vem me visitar agora não, tá? Vamos marcar de
sair? Qualquer dia desses...”. E eu amo as pessoas, e eu amo ser gente, e eu
queria conhecer todos os lugares do mundo, e todas as pessoas do mundo, e ser gente
em cada canto do mundo, mas o problema é que eu gosto de ficar só. E ficar só
hoje em dia não pode... Não pode ficar só, tá? Coitadinha, eu to aqui pra
qualquer coisa, viu? Estou com saudades, te amo.
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