O pomo de ouro.

"Eu abro no fecho". E assim preciso seguir. Faz três horas que não paro de chorar e parece que minhas lágrimas são um rio que nunca seca. Quando estou triste por você e tento lembrar de algo bom, é de você que eu lembro. E tudo dói em dobro. Você parece uma doença em mim e dói em todos os lugares. Minha irmã me pegou chorando, perguntou o que eu tinha e quase respondo que tenho você. Mas ela não entenderia, porque as pessoas não compreendem como estou por dentro. As pessoas nos veem pequenos, porque você nunca deixou que fôssemos grande coisa, mas eu nos via do tamanho do mundo e estou proporcionalmente ferida. Têm certas coisas que são sagradas e outras que são sentidas tão fortes quanto ácido corroendo o peito e, se tu soubesses como cada palavra que tu disse me rasgou, jamais as teria dito. Sigo juntando meus pedaços e tentando lembrar que eu sempre fui maior que tudo isso. "Jamais será", lembro você dizendo, em outro, mas parecido contexto. Lembro de cada palavra e não serão esquecidas. Mas de você, eu vou esquecer. Pensei que nosso fim seria o ódio, a raiva e o desgosto, mas será apenas esquecimento. Obrigada por pedir desculpas e me desculpe por ainda não ter conseguido responder que te (nos) perdôo. 

É que eu preciso ME perdoar de verdade.

Esse é mais um texto escrito entre lágrimas e sem beleza alguma, mas com um significado enorme.



Paz é quando você se perdoa. E, mais uma vez, passo por isso.


Read More

Supernova.

          Ainda tem você em todas as esquinas das cidades. Em todo banco que eu sento e no cheiro do meu sabonete ao tomar banho. Tem você quando eu olho pro lado e uma coisa qualquer numa parede branca me faz lembrar de ti, nem que seja o branco dos teus olhos cor de marte. Eu tento não pensar em você todos os dias, mas tentar já é pensar na tua mão em cima da minha e no teu corpo em cima do meu. Não sei se você lembra de alguma coisa, mas eu acho que eu jamais esquecerei coisa alguma. De forma que, se eu fechar os olhos e me concentrar um pouco, é quase como se conseguisse sentir teu cheiro de roupa limpa, tão típico. É quase como se você estivesse por perto sorrindo, e eu juro que consigo ouvir tua risada e te inventar ao meu lado, tornando quase real a lembrança de estar contigo. Alguém já te disse o quanto é bom descansar no teu peito ou como o mundo parece pequeno ao deitar abraçada às tuas costas? Ali no cantinho, a visão dos teus cachos anestesiava as dores que se entregar à vida traz. Era quase - quase - como se valesse a pena quebrar minha promessa de não me apaixonar de novo. Faz uma semana que voltei a te ver, e eu ainda não consegui te olhar nos olhos. Eu tenho medo de cair ao olhar pra eles. Eles, que dizem tudo quando a boca cala. Neles, que cabe um planeta inteiro - e talvez seja essa a razão por eu ter orbitado tanto ao seu redor-. Tu era rei e eu súdita. É assim que, hoje, eu vejo. Todo dia eu acordo e penso "eu estou sentindo menos que ontem, e eu já não choro mais" e isso é mais sagrado do que muita oração minha. É verdade, eu não choro mais, mas eu quase choro todos os dias. Eu quase choro todos os dias porque ainda não consegui recuperar todas as minhas partes que me desfiz pra caber num espaço que nunca foi feito pra mim. Continuo cheia de buracos, e queria que isso soasse poético, mas a realidade é que dói igual ferida física. Tento preencher meus vazios a todo momento, mas os espaços são muitos e enormes e eu sinto falta de mim. Eu sinto falta de você, no clichê de a cada segundo, porque tem você em tudo que eu vejo, cheiro e toco. Mas eu sinto mais falta de mim. Eu quero muito você, sabendo que jamais te terei de novo, mas eu posso ter a mim. E eu me quero de volta. Eu me quero muito. Vai raiar o dia em que eu sorrirei sem pensar nos pedaços que me faltam. Nossa história me quebrou mais do que você ou as pessoas conseguem imaginar e eu estou aos cacos. Mas vai raiar o dia em que não haverá você em todos os cantos. Vai raiar o dia em que tu deixará de ser planeta e eu lua. Vai raiar o dia pra eu voltar a ser Sol.


          Enorme. Quente. Brilhando. Explodindo.
       
       
          Porque nós fomos Supernova.
          Mas eu sou signo solar. E como bom leão que ruge, eu sou rainha e estrela mais forte.
          A luz tem que vir de mim.
          E virá.








supernova:
  1. substantivo feminino
    ASTR
    estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso, para depois ir perdendo lentamente o seu fulgor.

          
   
        
          
          


          


     













Read More

Dos planos.

Houve um tempo em que eu pensava que não haveria mais espaço pra solidão na minha vida, e então você veio e me mostrou que o amor não é essa coisa toda que muitos falam, muito menos essa coisa toda que poucos fazem, mas sim essa coisa toda que todos choram. Venho atravessando dois meses sozinha, quando pensava ter encontrado quem me ajudaria no caminho. É verdade, você nunca disse que ficaria, mas mesmo assim ficava. Ia ficando e fazendo planos. E você não pode fazer planos, se você não pretende ficar. Você não pode fazer planos pra janeiro, se ainda é junho, se você não pretende ficar. Você não pode virar e dizer que não me quer na sua vida, se você me colocou dentro dela e me fez gostar de cada lugarzinho. Você não podia ter feito isso comigo. Você planejou. E planejar é dizer, sem dizer, que vai ficar. E você não ficou.


Você não ficou.


Foi embora no barquinho de papel. 
Enquanto eu, aqui, me debato sem saber nadar.





Read More

Cartas para Ana. 2

Querida Ana,


            Achei que as coisas estavam melhores e passei mais um mês num conto de fadas, mas tudo desmoronou e não sei porque pensei que tudo ficaria bem como estava. As coisas quase nunca são como queremos e, no meu caso, esse quase significa sempre. Eu tenho esse sentimento enorme grudado no peito querendo sair feito lágrima e banho sentada no chão embaixo do chuveiro, mas eu não me permito. Não me permito porque só ele e Deus sabem o quanto já me permiti pra tentar ir em frente, por nós. O quanto me permiti ir além do que eu deveria. O quanto me permiti querer e sentir isso que eu tenho medo de dar nome...
            Cada parte dele tem espaço pra beijo e carinho e jamais esquecerei isso. Mas, não se engane, essa não é uma carta sobre não conseguir esquecer. É uma carta sobre o esquecimento. Hoje eu me peguei tentando lembrar a sensação de um abraço dele, mas eu não lembro, Ana. Eu lembro que é quente, ele é sempre quente. E eu lembro que é casa. Mas eu não lembro mais como é a sensação de estar dentro dos seus braços e me sentir completamente compreendida. Não lembro como ele fica bonito de costas, cozinhando e dançando. Não lembro do calor do beijo na testa enquanto ainda estamos unidos depois de nos amarmos com nossos corpos. Não lembro do cabelo bagunçado e carinha de sono logo após acordar. Não lembro do tom exato olhos cor de marte dele... Mentira, Ana, eu lembro de tudo.  
          Não, amiga, eu não me arrependo por nada. No fundo sei que não e que se tivesse a chance, eu viveria tudo igual. Afinal, foi com ele que aprendi a olhar o pôr-do-Sol com amor e a apreciar pequenas coisas da vida e não quero perder isso nunca mais. Perder os detalhes, sabe? Mas às vezes bate uma angústia tão forte. Bate uma vontade de ouvir a voz, de sentir o cheiro do cabelo, de escutar o som que ele faz e antecede o sorriso. Ele faz o som, e mexe a cabeça e então sorri. E isso é tão lindo que eu queria ter olhos de fotografia só pra registrar o momento e nunca esquecer como alguém pode ser tão bonito assim. Bo-ni-to. E lindo.
        Durante esses dias eu quis escrever (à mão) várias cartas, poemas, dedicar músicas e chorar mil lágrimas, mas cada vez que eu quis escrever algo realmente significativo para ele, eu vim aqui escrever pra você. Ana, eu tenho tentado, mas é difícil quando toda piada fica sem graça se não posso compartilhar com ele. E eu estou tão acostumada a compartilhar tudo que quase por impulso eu mantenho contato, "olha, aconteceu isso", "olha, eu vi isso", "olha, tu soube disso?", e eu só quero gritar: OLHA, OLHA PRA MIM! E o pior é que eu sei que ele me olhou, me viu, me enxergou, Ana. Eu sei. Mas será que ele lembra de mim no dia-a-dia também, Ana? Eu queria muito que sim. É tão difícil...
          Eu fui uma pessoa horrível pra ele nos últimos dias, eu sei disso. Mas só nos dois sabemos. E parece que isso apagou a pessoa-amor que fui nos últimos meses. Eu não consigo lidar com isso, mas eu tento. E eu realmente quero que ele seja feliz, mesmo que não seja comigo. Mas o que me machuca é saber que a felicidade dele não é ao meu lado. Mas o que se há de fazer? Se eu tentei e fui além dos meus limites? E aqui me deixo um lembrete: nunca mais me doar.
          Eu estou exausta. E-X-A-U-S-T-A. Sinto como se fosse um paciente cardíaco precisando de um coração novo. Eu não aguento mais, Ana. E nem quero. Não quero nunca mais querer dividir minha felicidade com outra pessoa. Porque eu só quis isso duas vezes... E das duas eu fui embora juntando meus cacos pelo caminho. A gente pensa que consegue controlar o querer, Ana, mas a gente não consegue. Ele é tão especial, Ana. Não mentiu pra mim, mas eu queria tanto que algumas coisas tivessem sido diferentes. Pra eu ter paz. Pra eu pensar que eu lutei muito, mas ele lutou também, sabe? Ele lutou, ele tentou, mas eu queria que tivesse sido só mais um pouquinho. Há uns dias eu disse uma coisa e ele disse que não, que não éramos, e foi como se ele tivesse enfiado uma faca no meu peito e até hoje ela está lá... Como faz pra tirar, Ana? 
          Eu queria que ele tivesse tentado não ficar com outras pessoas. Ele não precisava tentar gostar de mim, ou me querer, porque isso simplesmente acontece. Mas queria que ele tivesse tentado ficar só comigo, que tivesse a chance e ele pensasse que era melhor não. "Melhor não, eu tenho vontade, mas eu tenho Lorena me esperando em casa". E então, eu teria ido embora tão tranquila, Ana. Porque eu olho pra mim mesma e só vejo que não fui capaz de ser pessoa-amor pra ele não querer nenhuma outra pessoa-aventura.
          Acho que tem uns quatro dias que escrevo essa carta, e está tudo confuso e feio e sendo rascunho. Tudo bagunçado. Eu quero muito que ele consiga amar alguém, Ana. Mas eu tenho tanto medo de isso foder comigo... E eu não quero amar de novo, amiga. De verdade. Meu coração hoje está mais protegido que Azkaban. Mas enquanto isso, estou aqui feito uma idiota cheirando uma toalha que tem o cheiro das roupas dele, Ana. Numa escala de zero a Lorena Granja de ser ridícula, eu estou em qual lugar, hein?
          Um dia depois que tudo ruiu, minha flor morreu, nossa flor. E eu sou muito espiritual pra não acreditar que ela sentiu toda a carga negativa do que houve conosco. Minha Maria Flor morreu. E eu chorei. E fiquei com medo de dizer a ele. E se ele não se importasse, Ana? E se ele não se importasse como ele não se importou em ir olhar o barquinho de papel que deixei para ele em seu caderno? A música fala que se você tem um barco, maior chance de se salvar. E eu queria tanto salvar a gente, Ana. Eu sei que ele não me quer mais como pessoa-amor. E que tentamos que fosse pessoa-parceira. Mas agora acho que pode não ter sobrado nem o pessoa-amiga, Ana. E como superar não ser mais amiga dele, me diz? Nem dos amigos. Nem da família.
       Será que ele pensa em mim um pedacinho do que penso nele, Ana? Será que nem meu barquinho pra nos salvar deu certo? Eu acho que ele me odeia, amiga. Não odiar, mas qual palavra usar? Eu dei tanto carinho, tanto cuidado, eu esperei tanto. Meu Deus, como eu esperei. E hoje ele não curte nem mais nem minhas fotos, Ana. Como se fosse pecado. Como... Como se o quê, Ana? Isso nem mesmo tem explicação. O que isso significa? Isso com certeza significa algo. Eu sou tão indiferente agora que até isso acontece? Às vezes olho até se ele ainda me segue. Se estou bloqueada. Que é melhor do que a simples indiferença, Ana. Do que ver e escolher me ignorar. Porque ele não fez escolhas diferentes? Isso me afeta. Porque vejo que são só as minhas. É só comigo. Sou eu. E o barquinho? Eu quero tanto entender tudo. São os detalhes, Ana... São sempre os detalhes... Às vezes nem parece ele, sempre tão atento a isso...
        Continuarei enxergando ele com os olhos do meu coração, Ana. Sabe aquelas histórias de quase-amor em que quando falam salta sempre um brilhinho no olho? E não mais por querer estar com ele ainda. Mas porque ele é bo-ni-to. E lindo.
          Eu só queria que ele se importasse com o barquinho, Ana. 



Para assistir:




















         
          
Read More

Cartas para Ana. 1

Querida Ana,


          Anestesiada. É assim que eu gostaria de me sentir agora. Queria não estar sentindo nada e não ter consciência dessa dor fina rasgando o peito, mas poucas vezes me senti tão desperta. Se eu pudesse ter qualquer coisa no mundo agora, escolheria ter um vazio no lugar do meu coração: esse fodido que me comanda o corpo e a alma. Minha mãe hoje disse que eu devo ser amaldiçoada, pois o amor nunca dá certo pra mim. Nunca deu mesmo, então talvez ela tenha razão. Você sabe como ela é... às vezes ela acerta em cheio. 
          Você não sabe o que tem acontecido nos últimos dias, porque a palavra tem força e eu não queria dar poder ao que me assusta, mas aconteceu. Ele foi embora. Primeiro, eu me senti culpada. Depois, eu me senti despedaçada. Agora, eu nem sei mais o que sinto. Só sei que a dor é muita e parece espinho que entra no pé doendo e incomodando, mas a dor é na alma. Eu tinha me acostumado a ver tudo colorido, igual ele, mas agora voltei a enxergar em preto e branco.
          Ele disse que eu não fiz nada de errado, que eu lutei por nós dois desde o início enquanto ele só errava e fazia meu peito doer. Mas só foi assim mais ou menos, Ana. Ele disse que eu sou ótima e que há poucas pessoas como eu, que sou uma das melhores pessoas que já passaram por ele. Mas será mesmo, Ana? Se era assim, porque ele não quis ficar? Ele disse que se fomos felizes, foi porque eu fiz acontecer. Ele disse: olha pra mim, você é suficiente, eu quem não consigo. Mas eu não conseguia olhar pra ele, sabe porque?! Sabe quando você está de dieta e quer muito um doce, mas não pode, então evita até olhar pra um? Ele é o doce e eu sou a pessoa obesa com fome de açúcar. Mas também nem era só isso, Ana. Eu tinha medo de olhar pra ele e transparecer um pouco de raiva, que eu nunca permito sentir em meu coração. Eu estava com raiva porque, se eu sou tão boa assim, porque ele não tenta de verdade? Tenta me explicar, Ana. Me ajuda!
          Lutei com tudo que tinha, abdiquei de muita coisa, aceitei calada tantas outras, tudo para ficar e continuar, mas no fim, quem não quis ficar foi ele. Você consegue compreender? Eu disse a ele que lá na frente sei que eu entenderia, mas olha... lá na frente mesmo, porque agora está difícil. Eu acho que quando a gente encontra alguém que se dispõe a ficar, por mais que a gente ache que não consiga, a gente deve dar uma chance. Uma chance real. E não é nem ao outro, mas a nós mesmos. Eu tive pena, Ana. Ao mesmo tempo em que eu chorava, ele chorava também. Sabe, Ana, eu pensei que nunca fosse vê-lo chorar. Ele dizia que não conseguia muito,que era difícil. Eu parei de chorar olhando o choro dele, mas aí eu chorei de novo, Ana. E eu sentia pena. De mim, dele e do meu coração idiota que insiste em se apegar só em que nunca vai ter o mesmo apreço de volta.
          Eu gosto dele, Ana. E eu realmente tentei não gostar. Mas eu dizia a ele: eu estou apaixonada por você. Juro que pensei estar conseguindo lidar com meu sentimento, e acho que eu vinha conseguindo. Eu controlei tudo tão direitinho, e até onde coube luta, eu lutei. Mas sabe o que não controlo? Minha solidão. Eu estou me sentindo completamente perdida, sem rumo e sozinha. Sabe, Ana... Ele não era um passatempo, ele era meu parceiro. P-A-R-C-E-I-R-O. Você já teve isso? Eu pensava que não tinha, até ele virar pra mim e dizer que era melhor ir embora. Nessa hora eu pensei: perdi meu parceiro. Você acredita que nunca tinha pensado nele assim?
          Está tudo tão confuso. Parece que acabei de acordar e a luz do dia veio forte como um clarão. Eu passei 2 dias com essas palavras na cabeça: "ok, eu quero terminar". E se eu não tivesse perguntado, Ana? Será que teria acontecido? Olha eu aqui de novo me culpando. Ele disse que eu não devia me culpar por nada, mas eu não consigo. Daí hoje ele veio e falou de boca, e cada palavra que saiu dela parecia um corte de papel em cada centímetro do meu corpo. Porque eu perdi meu parceiro, Ana. E agora eu não sei mais com quem eu vou falar que sinto vontade de chorar ao assistir o pôr-do-sol sem parecer uma idiota.
          Nunca senti tanto medo de ficar sozinha. Estou olhando pra os lados e não vejo quase nada interessante. Ana, com ele tudo era interessante. Com ele eu cresci tanto que nem me caibo de tão imensa. É como se eu tivesse me tornado outra pessoa, e o principal que ele me ensinou foi a ter coragem. Mas eu estou me sentindo tão covarde agora. Com medo da solidão. Você já sentiu isso? Eu sinto que estou traindo ele se não me sinto corajosa. Eu estou louca, Ana?
          Ana, eu estou com medo de ficar sozinha. Eu me acostumei a ser com ele. E nem me dói saber que o contrário não é real, porque estou acostumada a sentir tudo sozinha e por dois, você bem sabe disso... Mas eu nunca senti tanto medo, Ana. Nem quando você-sabe-quem partiu meu coração em mil e achou bonito dançar em cima. Ali era só tristeza e vontade de morrer, rs. Mas hoje meu nome é medo. Eu nunca senti isso, é normal? É normal, Ana? Me ajuda!
          Atravessei as últimas horas como se eu fosse sozinha no mundo. Eu sinto como se não fosse capaz de fazer alguém ficar, Ana. Você já parou pra pensar que comigo ninguém fica? E é disso que vem meu medo. Eu perdi meu parceiro, mesmo que eu não fosse parceira dele, e voltei a ser só, mas só de um jeito maior. De um jeito dolorido que eu não sei se vou re-acostumar a ser. Eu também sei que isso vai passar, sempre passa, até se tornar pequeno, mas agora não, Ana. Agora está do tamanho que eu sou.
          Eu quis dizer a ele: "eu não preciso de você nem pra andar e nem pra ser feliz, mas como eu gostaria de andar e ser feliz ao seu lado". Eu quis, Ana. Mas eu sabia que de nada adiantaria e eu não ia mais lutar batalha perdida. A palavra de hoje foi luta. Ele dizia que sabia que eu tinha lutado. Eu também sei, sabe? Mas perdi todas as batalhas e a guerra. E agora eu estou terrivelmente só. Eu não estou, Ana. Eu sou.



Com carinho,


          

          
        
Read More

Flor azul

Você vê beleza nas coisas simples e eu enxergo poesia nos teus olhos castanhos. E castanho deveria ser a nova cor do mar, só pra acompanhar tua presença que parece ocupar mais da metade do mundo. Eu não sei como é o pôr do sol em uma praia deserta, mas imagino que traga a mesma sensação de deitar em seu peito estrelado. Porque não esqueço de olhar tua pele sem pensar num céu cheio de estrelas e que se eu ligar os pontos, vai mostrar as notas de uma canção do Jobim. E que se eu prestar atenção na tua fala, vai sair um soneto do Vinícius. E que se fechar os olhos e escutar teu coração, vou ouvir um samba de alguém que não sei o nome, porque nunca fui conhecedora de música, embora hoje eu queira sempre cantar. Eu sempre pedi por poesia em minha vida e a vida me trouxe você, que parece um livro inteiro de poemas. Você merece todas palavras e eu não sei (nunca soube) escrever.
Read More

Olha só, moço.

Olha só, moço da pele estrelada, tu é galáxia inteira com essa explosão de cores, tu chegou pra me colorir a vida. Olha só, moço do cabelo enroladinho, tu veio pra fazer laço e desfazer os nós, tu é tão bonito e faz a vida tão bonita que eu queria ver o mundo com teus olhos só pra ver beleza em tudo que chega... Só pra entender porque tu me olha como se eu fosse tão bonita também. Olha só, moço do peito que se faz lar, tu aqui me faz querer encostar até dormir e só acordar se for pra gravar como fotografia o beijo na testa que tu me dá. Tu beija a testa, e eu fecho os olhos querendo parar o tempo. Olha só, moço do sorriso de ladinho, tu me faz rir até doer a barriga e essa foi a única dor que tu me causou até agora. Será que posso me acostumar com isso? Olha só, moço do abraço quente, eu danço contigo, se tu dançar comigo também. Se tu me chamar, eu danço a noite inteira até o pé doer e eu conseguir voar. Olha só, moço que mexeu minha vida. Tu veio. Tu chegou. Tu vai ficar? Se tu quiser ficar, eu vou querer também. Olha só. Olha pra mim. Eu tenho medo do barulho que o coração faz, mas tu apareceu querendo fazer música.

Olha só, moço.
A calmaria que chega é da cor dos teus olhos castanhos?





(Eu nunca quis escrever sobre você, mas você é maior que as palavras. Elas teimam em sair, mas todas ficam feias se são sobre você).



Read More

© 2011 Juras e anúncios falsos., AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena