Eu sei

Tenho uma relação íntima com as palavras, pois essas nunca me faltaram. Sempre fui ao seu encontro, ou antes disso, elas me chegavam... Então, o amor recíproco que chegou e eu não escrevi nenhum texto para/sobre ele. Penso que talvez o amor mesmo seja isso, vem tão quietinho que a palavra falta, pois não precisa ser dita. Mas sinto que falho... Para tantos quase-amores ou eu-achei-que-era-você-mas-não-era escrevi textos, poemas, músicas, trocadilhos e chorei até pensar "no próximo doerá menos" até chegar no "nunca mais" (e ser vencida pelo novo amor que sempre chega). Pra você não. Quando penso em você, em vez de escrever, eu só penso em sorrir. E clichê, eu sei.


Eu sei.
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A palavra.

A palavra sumiu. Me senti bicho morto, como um pássaro sem o poder de voar. Eu tentava buscar as palavras, mas elas corriam de mim e fiquei vazia. Por um tempo, eu tentava falar e não conseguia, eu queria escrever e não começava, eu queria voltar a ser, mas não era. Tinha me perdido de mim e as palavras se esconderam para que eu não as colocasse pra fora e as desse poder. A palavra sabe a força que tem. Há algumas semanas elas quiseram vazar, levantei à noite para escrever, mas desisti por não saber o que as palavras guardavam pra mim, pois não sou eu que as escrevo, mas elas que me conduzem e dizem por onde querem ir. Há quatro noites eu comecei a pensar o início de um texto, mas caí no sono e já não me lembro mais, ou nem mesmo tentei. Hoje, finalmente, senti coragem. Mas elas saíram e não falaram nada sobre o que eu pensava que poderiam querer falar. Hoje eu não quis (elas não quiseram) falar do passado, nem do futuro, nem de dor, nem do esquecimento ou do descobrimento de pessoas muitas dentro de uma pessoa única que me rasgou o peito, ou de uma pessoa nova com o leve cheiro de ipê florido, quase como se quisesse adiantar a primavera. Hoje elas quiseram falar sobre a liberdade de poderem sair sem o peso do receio, do medo e da dor. Hoje elas saíram gritando liberdade. Pássaro voando por cima da ponte enfeitando o céu-rio-casa. A palavra voltou- e isso significa que o medo que foi embora-.

Estou pronto. Pode vir mais.
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18.03

Tem um texto que começa com “Você não sabe, nem sonha, mas acabou de mudar minha vida”, e é isso. Você me mudou. E este aqui é um texto de agradecimento. Obrigada por ter me feito crescer e por ter ensinado tantas coisas que hoje já parecem inerentes a mim. Obrigada por cada risada e cada momento em que me fez acreditar numa felicidade possível. Antes de você eu estava desacreditada e pequena, então você veio e me fez grande. Obrigada por isso. Obrigada por ter aparecido e obrigada por ter ido embora sem olhar pra trás, tua ida me fez ainda maior. Tua ida me fez gigante. Eu já não me caibo e explodo por todos os lados a pessoa que me tornei. Olho pro passado tão recente e vejo minha jornada. Eu não precisava que você ficasse, porque ninguém precisa da presença daqueles que não querem ficar em suas vidas, mas eu certamente precisava da sua vi(n)da na minha. Após sua partida, parecia que eu tinha perdido uma parte de mim, uma perna, e que não conseguiria andar por um bom tempo, mas aqui estou correndo livre, com a cicatriz, mas firme, forte, grande: leoa na savana, mais forte que o rei. Hoje é o seu dia e eu fiquei esperando o fim do mundo. Fiquei esperando a dor que não cabe no peito por eu não me caber mais em sua vida. Esta dor nunca veio. Sentei e esperei. Não. Veio a culpa por não querer chorar, veio o medo por não estar mal, veio o desejo de não desejar nada, porque eu sentei e esperei pelo pior e esvaziei de todas as outras coisas. Me vi triste sentada em meio a tantas gentes, mas não doía e eu pensava que você sempre iria me doer um pouquinho. Você já me doeu muito, mas hoje eu sinto apenas gratidão. Sou porque fui. Sou hoje quem sou porque fui quem era com você, e eu sempre fui linda. Você me fez ainda melhor. Obrigada. Esta é a minha verdadeira felicitação de aniversário, mas não era justo te enviar. Gratidão por cada dia em minha vida, por cada beijo, por cada abraço, por cada lágrima e por cada pôr-do-Sol. Tu era lindo comigo sim, apesar de todos os pesares. Tu foi feio comigo sim, eu sei que você sabe. Mas assim fomos, um com o outro. Obrigada por ter ido embora quando eu tanto insisti para que ficasse, pois não fomos feitos um para o outro, mas fomos feitos para preencher páginas nas histórias das nossas vidas. Vou olhar pra você sempre, sempre, sempre com muito carinho e gratidão e com um desejo enorme de que um dia tu seja livre e feliz, assim como sei que serei e já estou conseguindo ser. Me inflando e me amando, porque tu não conseguiu me amar e descobri que era disso que eu precisava pra me tornar o que sou hoje. Sem você, eu não seria. Obrigada por ter feito parte da minha vida por tantos meses. Não sei se um dia fará parte de novo, se um dia vamos nos cruzar e conseguir nos abraçar de verdade, sem a feiúra dos nossos abraços desencontrados. Talvez nossos caminhos nunca mais se cruzem no mesmo lugar, mas obrigada e parabéns por ter sido luz, ter sido fôlego, ter sido amor e por deixar um tanto de tu em mim. Se eu deixei um tanto de mim em tu também, obrigada por me receber. Obrigada por ter sido tu, e tu é passageiro, eu sabia desde o início. Você é nômade e eu realmente te desejo um dia uma nova vontade de ficar. Nunca vou esquecer os olhos cor de marte que precisaram ir embora pra que eu mesma viesse me encontrar. Gratidão enorme por tudo. Com todo carinho, que vai estar sempre aqui, um coração inteiro de coisas boas. A paz que você ama. A liberdade que você almeja. A responsabilidade que você precisa. O amor em forma de gente, de todos que te rodeiam. Meus mais sinceros: parabéns e tudo de bom.
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