Des-exista, por favor.


Decidi escrever pra desabafar, desafogar, desiludir. Era tudo um quadro negro esperando a próxima frase-palavra-metáfora-mentira e você jogou um balde de água, embaçou tudo e me impediu de ler. Des-existiu. Eu só queria saber o resto da história e transformar as mentiras em verdades, mesmo que por um dia, mesmo que por algumas horas, mesmo que durante um único beijo. Durante um leve roçar de barba e pelos e rostos e corpos e mãos e cheiros e vontade. Ainda acho que a gente se encontra, e ainda acho que eu te beijo, te sinto, te tenho e me encanto. Ainda acho que a gente precisa des-existir dentro de mim, porque a dúvida, o não-aconteceu, o o-que-poderia-ter-sido e o quero-que-aconteça estão me consumindo, me destruindo, me rasgando. Ainda acho que eu te preciso, só pra depois de tudo eu poder dizer “não te preciso mais”, porque é assim que eu sou e você quase me mudou. Você quase, quase conseguiu. Seria mais fácil se tivesse conseguido, se eu tivesse apaixonado, se eu tivesse experienciado, se eu tivesse te tido.  Só queria dizer que eu aqui continuo tentando. Eu aqui continuo existindo, eu aqui continuo querendo, eu aqui continuo. Cadê você?

E isso nada mais é do que palavras e frases repetidas, assim como eu continuo te repetindo dentro de mim. 


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Da minha rotina.


Há duas verdades absolutas sobre a minha vida: sou a pessoa mais desorganizada do mundo e morro de medo de fantasma.  A partir dessas informações, a história a seguir se justificará.
A lâmpada do meu quarto está queimada e eu estava procurando um brinco às 00h28am. Decidi usar a luz do meu celular e comecei a procurar, e então, no silêncio e no breu do meu quarto escuto um sussurro: “Lorena”. Gelei. Coração parou, coração acelerou, coração pediu arrego.  Parei e prestei atenção: “Lorena... Lorena?”. É isso, amigos, é isso, irmãos, é isso, Brasil... tinha chegado minha hora. Era a morte me chamando, ou uma alma, ou o que quer que fosse, mas tinha alguém me chamando e não parecia engano.
Pensei na minha família e em como só descobririam que eu estava morta lá pelas 16h, já que eu dormir até umas 15h é a coisa mais normal do mundo. Era meu fim e eu ainda nem tinha corrido pelada na avenida mais movimentada da cidade, era meu fim e eu nem tinha tomado um porre na noite passada, era meu fim e eu não beijei essa semana, era meu fim, meus caros, e eu morreria sem um tostão no bolso...
Respirei e aceitei meu destino. Dei uma última olhada no meu quarto, meu belo refúgio, dei uma conferida no meu corpo, meu gordo abrigo, dei uma olhada nas minhas mãos, minhas úteis ferramen... Eita, peraí, o quê é isso? Adivinhem, meus colegas, meus amados, meus companheiros: liguei pra minha mãe sem querer e nem percebi.
Respirei e aceitei meu destino: eu sou muito idiota mesmo e não há mais o que fazer.
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