Você levantou para fumar um cigarro enquanto permaneci deitada sem saber meu próximo passo. Olhou a cidade pela janela como se tentasse decifrar o que as luzes dos carros apressados diziam, como se houvesse um código escondido entre os faróis e as gotas de chuva, mas parecia não entender nada. Nada fazia sentido. Nós dois não fazíamos sentido. Da última vez pensei que não haveria uma próxima, mas lá estávamos nós novamente enquanto eu tentava entender porque que continuamos a ser jogados um de encontro ao outro. E eu até acreditaria ser destino, se você não me tivesse feito perder a fé nos acasos afortunados da vida. Quando o cigarro chegou ao fim e você passou a mão entre os cabelos, pensei que talvez estivesse adivinhando meus pensamentos a respeito de tudo e ignorando meus sentimentos a respeito do que você é enquanto não somos. Eu continuei deitada te olhando como que por medo de você se esvair em lembranças, você continuou em pé mexendo na cortina como que tentando a todo custo ocupar as mãos e a mente com algo que não fosse eu. Eu me forcei a ficar calada, sabendo que qualquer palavra te espantaria e mandaria embora. Você também ficou em silêncio e o silêncio preencheu todos os espaços vazios que existiam entre nós. Nos olhamos e, igual a todas as últimas vezes, fingimos que tudo aquilo não era nada demais. Você foi embora e eu não sei se olhou para trás e não olhar para trás é tão doloroso quanto o fato de nunca olharmos para frente. Você saiu e eu tranquei a porta não sabendo se ainda quero te deixar entrar. O problema é que eu sempre esperarei que você pule a janela.
A janela.
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Lorena Granja
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sábado, setembro 28, 2013
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do meu que não é
Da (falta de) crença.
Aquelas conversas às 2h da madrugada de uma sexta-feira em que você nem pensa, só escreve, e sai tudo errado, mas tudo certo:
"Eu não exijo muito das pessoas, sabe? Porque por ser pé no chão, minhas expectativas são baixas. Sei que o que eu acho que seria bom pode não ser o bom pra outra pessoa. Pra mim foi bom, mas pra ele pode ter sido péssimo, mesmo eu achando que não foi ruim por tudo o que foi dito. E não falo só sobre isso, mas sobre todas as coisas. Eu sei que o meu certo não é o certo dos outros. (…) Não sou de passar vontade. Principalmente porque não tenho sentimentos por ele. Sou tão estranha que acho que se eu gostasse dele e ele me quisesse novamente só por oportunidade, eu não aceitaria. Porque seria migalha. E amor não deve ser alimentado por migalhas. Ou você o alimenta por meio de um banquete de amor recíproco, ou você pega migalhas e sofre com fome. (...) Nem sei como o amor é, mas imagino que seja tipo algodão doce. (E nem de algodão doce eu gosto. Pensando bem, talvez por isso que eu fuja). Uma vez eu sofri por amor e foi suficiente, hoje em dia tenho uma crença na falta de crença nele. Queria muito que tivesse alguém por aí no mundo que fosse pra mim, ou que se fizesse pra mim, mas sou cética e acho que já não há mais esperança. Então, eu, uma jovem de 22 anos, deixei de acreditar no amor romântico e isso é tão triste que quase me faz chorar, porque posso não crer no amor pra mim, mas acredito no amor pros outros. É entristecedor pensar (e até “saber”) que nunca viverei isso, mesmo que eu queira muito ter alguém para dividir domingos, dias chuvosos e filmes ruins. Uma pessoa que acredita no amor, mas não no amor para si, é tipo uma flor que nunca desabrocha e acho que nunca desabrocharei. Serei sempre uma expectativa que nunca se cumpre, uma estrela que já não é nem mais brilho de bilhões de anos atrás, mas apenas ilusão. Eu queria muito encontrar alguém para compartilhar minha vida, mas não encontro nem alguém pra dividir minhas tardes. E é triste eu ter perdido a fé no amor, mas pelo menos perdi peso também".
Ainda há o que se comemorar. A vida é boa.
Ainda há o que se comemorar. A vida é boa.
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Lorena Granja
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sexta-feira, setembro 06, 2013
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aconteceu comigo,
do eu que é
Sangue.
Parece que quanto mais eu desejo, mais você me vem e menos você me vê. Mais você escapa do meu querer que nunca te dominou e que me foge ao controle cada vez que te vejo atravessar para o outro lado da rua ou do mundo que separa nós dois. Toda vez eu te vejo indo embora antes mesmo de ter realmente chegado e a vontade que dá é de me agarrar ao teu corpo enquanto chamo teu nome e rasgo minha roupa e arranho tuas costas e desperto teu sexo. Eu vivo através dos outros o que gostaria de viver através de ti, em cima de ti, entre pernas, peitos, bocas e mãos. Seu cheiro fica em mim quando você me vira as costas sem dizer se volta, seu gosto fica em mim quando me ajoelho diante de sua existência, sua presença fica em mim quando você deixa de ocupar o espaço que era seu. Minha vontade fica em mim ainda que a sua tenha tomado outros rumos e outras gentes. Minha vontade fica em mim quando eu queria que você quem estivesse. Sua vontade está em outras quando eu queria que você aqui voltasse. Pulsando, tremendo, forçando, mordendo, gritando.
Querendo.
Querendo.
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Lorena Granja
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terça-feira, setembro 03, 2013
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