Tudo.

Eu sempre faço isso. Sempre. E eu já tinha me cansado e me prometido de que nunca mais o faria, mesmo já o tendo feito de novo e de novo e de novo. No fundo, eu sou uma romântica que acredita no poder do amanhã, afinal "românticos são loucos desvairados". Eu tinha me jurado que não era tempo, que eu não deixaria ninguém, ninguém mesmo, entrar. Nem que batesse na porta, nem que espancasse a porta, nem que tentasse derrubar a porta, nem se conseguisse destruir a porta... porque aí eu pularia pela janela. Era isso, era essa a decisão. E então tu chegou. Eu sei como tu veio, mas eu gosto de pensar que não sei, porque pareceu tão assim, de repente (e meio que foi). E eu estou caindo fora antes que eu peça pra você entrar, pelo simples fato de que eu destranquei a porta e esqueço da minha promessa quando o pensamento é sobre você. Isso aqui pode até parecer uma declaração, mas não é. Não tem sentimento pra tanto, não tem noites em claro, não tem sonhos antes de dormir e sonhos enquanto durmo, mas eu tenho medo de que eu acabe deixando acontecer, de me pegar pensando "e se...", sabe? Mas eu me prometi, e mesmo se não houvesse promessa, após tantos socos e lágrimas e não's, eu finalmente entendi que não podemos pedir a ninguém pra entrar ou pra ficar. O problema é que eu me deixei encantar, mas eu não posso. Porque o encantamento é o início da ladeira abaixo que vai cortando a pele, a alma, os músculos, os ossos, tudo, tudo, tudo, vai cortando tudo, vai ferindo tudo, vai sangrando tudo, tudo, tudo, tudo. Até só sobrar a gente deitada num colchão no chão do quarto, levantando apenas pra o almoço ou talvez a janta, dando as caras pela casa só pra família não perceber que você já não é mais você, fugindo do Sol, fugindo de gente, dormindo no colchão no chão por três meses porque você não tem força de colocá-lo na cama. Porque você não consegue nem mais existir. Porque os únicos momentos livres de dor são os dois segundos ao acordar quando você não recobrou a consciência ainda e então vem o baque e você recomeça a chorar, porque até respirar dói quando sua existência dói. Eu não lembro bem desses dias, se era segunda ou sexta-feira, se eu sorria de mentira, eu não lembro, eu só lembro que doía tudo e que eu pairava no ar, suspensa, me olhando de longe, mas era tudo em névoa. Eu não lembro como era, mas eu lembro como me sentia. E eu causei isso a uma pessoa, eu acabei causando isso a uma pessoa tão boa. E quando não é comigo, vai ser com os outros, então? Eu não sei, eu tenho medo. De tudo, tudo, tudo.





Tudo. Tudo pesa.
Até pensar.
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