Das partidas.

Eu vinha evitando escrever, porque escrever é legitimar a palavra e eu não queria reconhecer minha partida. Me pergunto se um dia nos abraçaremos com alguma sobra de carinho e/ou se continuarei a te enxergar, em vez de apenas te ver passar como uma sombra que ainda insisto em querer ver como luz. Meus olhos te reconhecem apenas como saudade onde um dia tudo era somente amor e, de vez em quando, acordo no meio da noite pensando ainda ter você, mas você nunca foi meu ao passo de que sempre fui inteiramente sua.
Esses dias desfilei a vida nas avenidas tentando esquecer tua morte, mas nunca pensei que fosse ser tão difícil carnavalizar enquanto se está de luto. O pior de chorar seu fim é a consciência de que morreu em mim somente ideia que eu tinha de você, enquanto o sentimento continua gritando e se acreditando imortal.
Me sinto vivendo o luto de algo que nunca verdadeiramente morre. Mas, sabendo que não há caminho em frente, ouso finalmente dizer uma palavra sobre nós dois: adeus. Dessa vez sem medo. Sem ilusões. Sem sonhos. Aquele adeus de quem vai embora porque não tem mais lugar para ficar.
E eu vou embora te amando tanto quanto ontem, mas sofrendo menos que semana passada.

Deixo esse texto inacabado, porque eu - que sempre fui tão fã de reticências - preciso deixar algo em aberto já que pus um ponto final no nosso passado que nunca existiu.







Read More

© 2011 Juras e anúncios falsos., AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena