Olha, não tem sido fácil. Semana passada me peguei pensando o porquê da gente ser tão triste. Parece que a gente força, que a gente complica, esmaga, prende, martela. Fica aquela vozinha na minha cabeça "'é melhor ser alegre que ser triste', já dizia o poeta, moça", mas como ser alegre se a única coisa que quero é dormir e só acordar quando um dia não pareça mais durar um ano? Vivo tentando ser feliz enquanto sinto esse aperto, essa corda ao redor do pescoço ameaçando enforcar se eu decidir pular em direção ao abismo, ao mesmo tempo em que o chão parece cada vez mais queimar meus pés, forçando uma tentativa de fuga. Qual a alternativa diante de tanta podridão aqui dentro? Acho que, quando eu morrer, vão perceber que meus órgãos estão pretos, vai estar tudo preto por eu ter sido uma fumante da tristeza. Como se eu tivesse inalado a infelicidade do mundo e tivesse me contaminado com a escuridão que tudo é. Pra completar tudo é dezembro, e dezembro é o pior mês. Todo mundo finge estar feliz, mesmo todos sabendo que a vida está uma bosta e não faz sentindo comemorar o Ano Novo se as coisas parecem sempre se repetir. Essa época é a pior do ano e eu pisei em você sem querer, desculpa. Me sinto perdida se não tenho mais onde verificar se ficou sujeira no meu dente. Me sinto meio ninguém sem você dentro da minha carteira. Mas sabe o que é pior? Não ter mais onde olhar pra me lembrar de mim enquanto digo "Sossega, moça, não pula. Deixa o chão queimar teus pés um pouquinho... Relaxa que logo sara". Vai sarar.
Carta aberta ao meu espelhinho.
Postado por
Lorena Granja
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quarta-feira, dezembro 19, 2012
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