Eu não sabia o que falar, então chorei. Você me olhou como se aquilo tudo fosse novo e não soubesse o que fazer, mas você sabia. Você sempre soube o que fazer de mim, ainda que nem eu soubesse e vivesse me perdendo pelos corredores por onde andava -você sabe todos os caminhos enquanto ainda estou parada na porta decidindo se arrisco sair ou não-. Ainda sem saber o que falar, eu te encarei e implorei com o olhar para você não me esquecer, pra você não me perder na sua história cheia de outras pessoas que não sabem o que fazer e nem pra onde ir, mas não disse nada. Não havia mais o que ser dito. Quando te olhei e percebi que você já não me via, foi como se eu também tivesse ficado cega, como se todas as luzes tivessem se apagado e só houvesse escuridão. E eu continuei chorando esperando o rio secar, mas continuava a chover em mim. O céu desabava e eu continuava chorando. O mundo rodava e eu continuava chorando. As horas passavam e eu continuava chorando. Já amanheceu seis vezes e eu continuo chorando. Eu continuo chorando, porque eu já conheci os dias sem você e eles não têm luz. Eu continuo chorando, a fonte nunca seca e estou me afogando em mim. Eu não sei o que fazer, então choro.
Água escura.
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Lorena Granja
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segunda-feira, novembro 04, 2013
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do meu que não é
¹ Do que não importa.
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sábado, outubro 26, 2013
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A janela.
Você levantou para fumar um cigarro enquanto permaneci deitada sem saber meu próximo passo. Olhou a cidade pela janela como se tentasse decifrar o que as luzes dos carros apressados diziam, como se houvesse um código escondido entre os faróis e as gotas de chuva, mas parecia não entender nada. Nada fazia sentido. Nós dois não fazíamos sentido. Da última vez pensei que não haveria uma próxima, mas lá estávamos nós novamente enquanto eu tentava entender porque que continuamos a ser jogados um de encontro ao outro. E eu até acreditaria ser destino, se você não me tivesse feito perder a fé nos acasos afortunados da vida. Quando o cigarro chegou ao fim e você passou a mão entre os cabelos, pensei que talvez estivesse adivinhando meus pensamentos a respeito de tudo e ignorando meus sentimentos a respeito do que você é enquanto não somos. Eu continuei deitada te olhando como que por medo de você se esvair em lembranças, você continuou em pé mexendo na cortina como que tentando a todo custo ocupar as mãos e a mente com algo que não fosse eu. Eu me forcei a ficar calada, sabendo que qualquer palavra te espantaria e mandaria embora. Você também ficou em silêncio e o silêncio preencheu todos os espaços vazios que existiam entre nós. Nos olhamos e, igual a todas as últimas vezes, fingimos que tudo aquilo não era nada demais. Você foi embora e eu não sei se olhou para trás e não olhar para trás é tão doloroso quanto o fato de nunca olharmos para frente. Você saiu e eu tranquei a porta não sabendo se ainda quero te deixar entrar. O problema é que eu sempre esperarei que você pule a janela.
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sábado, setembro 28, 2013
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Da (falta de) crença.
Aquelas conversas às 2h da madrugada de uma sexta-feira em que você nem pensa, só escreve, e sai tudo errado, mas tudo certo:
"Eu não exijo muito das pessoas, sabe? Porque por ser pé no chão, minhas expectativas são baixas. Sei que o que eu acho que seria bom pode não ser o bom pra outra pessoa. Pra mim foi bom, mas pra ele pode ter sido péssimo, mesmo eu achando que não foi ruim por tudo o que foi dito. E não falo só sobre isso, mas sobre todas as coisas. Eu sei que o meu certo não é o certo dos outros. (…) Não sou de passar vontade. Principalmente porque não tenho sentimentos por ele. Sou tão estranha que acho que se eu gostasse dele e ele me quisesse novamente só por oportunidade, eu não aceitaria. Porque seria migalha. E amor não deve ser alimentado por migalhas. Ou você o alimenta por meio de um banquete de amor recíproco, ou você pega migalhas e sofre com fome. (...) Nem sei como o amor é, mas imagino que seja tipo algodão doce. (E nem de algodão doce eu gosto. Pensando bem, talvez por isso que eu fuja). Uma vez eu sofri por amor e foi suficiente, hoje em dia tenho uma crença na falta de crença nele. Queria muito que tivesse alguém por aí no mundo que fosse pra mim, ou que se fizesse pra mim, mas sou cética e acho que já não há mais esperança. Então, eu, uma jovem de 22 anos, deixei de acreditar no amor romântico e isso é tão triste que quase me faz chorar, porque posso não crer no amor pra mim, mas acredito no amor pros outros. É entristecedor pensar (e até “saber”) que nunca viverei isso, mesmo que eu queira muito ter alguém para dividir domingos, dias chuvosos e filmes ruins. Uma pessoa que acredita no amor, mas não no amor para si, é tipo uma flor que nunca desabrocha e acho que nunca desabrocharei. Serei sempre uma expectativa que nunca se cumpre, uma estrela que já não é nem mais brilho de bilhões de anos atrás, mas apenas ilusão. Eu queria muito encontrar alguém para compartilhar minha vida, mas não encontro nem alguém pra dividir minhas tardes. E é triste eu ter perdido a fé no amor, mas pelo menos perdi peso também".
Ainda há o que se comemorar. A vida é boa.
Ainda há o que se comemorar. A vida é boa.
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sexta-feira, setembro 06, 2013
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do eu que é
Sangue.
Parece que quanto mais eu desejo, mais você me vem e menos você me vê. Mais você escapa do meu querer que nunca te dominou e que me foge ao controle cada vez que te vejo atravessar para o outro lado da rua ou do mundo que separa nós dois. Toda vez eu te vejo indo embora antes mesmo de ter realmente chegado e a vontade que dá é de me agarrar ao teu corpo enquanto chamo teu nome e rasgo minha roupa e arranho tuas costas e desperto teu sexo. Eu vivo através dos outros o que gostaria de viver através de ti, em cima de ti, entre pernas, peitos, bocas e mãos. Seu cheiro fica em mim quando você me vira as costas sem dizer se volta, seu gosto fica em mim quando me ajoelho diante de sua existência, sua presença fica em mim quando você deixa de ocupar o espaço que era seu. Minha vontade fica em mim ainda que a sua tenha tomado outros rumos e outras gentes. Minha vontade fica em mim quando eu queria que você quem estivesse. Sua vontade está em outras quando eu queria que você aqui voltasse. Pulsando, tremendo, forçando, mordendo, gritando.
Querendo.
Querendo.
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terça-feira, setembro 03, 2013
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do meu que não é
Que seja.
Hoje, após uma risada, um amigo disse que há tempos não me via sorrir. Senti vontade de chorar. Senti vontade de chorar por toda a bagunça que fiz com minha vida e por ter deixado por tanto tempo as coisas se estagnarem. Senti vontade de chorar por tudo, por mim e pelo que não sou eu. Por tudo que deixei de ser, por tudo que não posso ser e por tudo que me resta ser, eu senti vontade de chorar. Senti vontade de chorar, mas segurei o choro. Segurei o choro, segurei o riso, segurei os sonhos. Descobri que me seguro a todo o tempo por medo de afundar mais ainda nesse poço sem fundo que hoje estou/sou. Tudo isso passou pela minha cabeça quando, hoje, após uma risada, um amigo disse que há tempos não me via sorrir. Senti vontade de chorar, mas eu sorri. Sem saber bem o porquê, eu sorri.
Mesmo que eu continue tão triste, acho que assim que a felicidade é.
Que continue sendo.
Que seja.
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segunda-feira, agosto 12, 2013
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do eu que é
"Home Is Where Your Heart Is".
![]() |
| (Todos devem ter isso. Um lugar que os faça felizes.) |
Era 16h e eu já não sabia mais o que fazer com tantos erros que havia cometido e que pareciam martelar minha cabeça dizendo "A culpa é sua!". A culpa é minha, eu sei. Meus atos são exclusivamente meus, mas às vezes as coisas fogem ao controle, entende? Às vezes a gente comete o erro achando que aquilo é o certo e tudo se embaralha numa sucessão de pequenas dores e castigos.
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quinta-feira, agosto 08, 2013
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Pois é.
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sexta-feira, agosto 02, 2013
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O não.
Quantas mentiras a gente conta por amor?
Quantas verdades a gente finge não saber por amar?
Quantos caminhos a gente deixa de seguir?
Tanta coisa a gente deixa de fazer (e por fazer). Tantos mundos deixamos de visitar. Tantos tantos esquecemos por aí.
Eu penso: vale a pena ignorar todos os planetas para orbitar ao redor de apenas um?
Eu nunca soube a resposta. E nem sei se quero saber.
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Quantos caminhos a gente deixa de seguir?
Tanta coisa a gente deixa de fazer (e por fazer). Tantos mundos deixamos de visitar. Tantos tantos esquecemos por aí.
Eu penso: vale a pena ignorar todos os planetas para orbitar ao redor de apenas um?
Eu nunca soube a resposta. E nem sei se quero saber.
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terça-feira, junho 11, 2013
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Repete.
Você tenta, insiste, cutuca a ferida, deixa sangrar, pega uma agulha, mexe, mexe, sangra mais um pouco, você coça, aperta, grita, chora. Continua. Você continua.
Te ensinaram que não pode parar.
Continua.
Continua que uma hora para de ferir.
Continua que você acostuma.
Continua que é preciso.
Continua. Continue.
Não pare.
Deixe doer.
Respira. Inspira. Suspira.
Estanca.
Repete.
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Te ensinaram que não pode parar.
Continua.
Continua que uma hora para de ferir.
Continua que você acostuma.
Continua que é preciso.
Continua. Continue.
Não pare.
Deixe doer.
Respira. Inspira. Suspira.
Estanca.
Repete.
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segunda-feira, junho 10, 2013
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Nó - 5 à seco.
Me pego parada a uma da manhã querendo dar a volta no mundo pra ver se assim percebo meu lugar. Meu sentimento de pertença é só comigo e talvez nem isso, me encontro perdida em mim mesma, com as mãos entre os cabelos procurando a melhor posição até tudo ficar dormente igual como estou. Escuto uma música e outra, assisto um filme e outros, me olho no espelho e nada. Só tenho sentido aquilo que a gente esconde por tanta desimportância que tem. E eu tento falar, eu juro que tento falar, mas não consigo, as palavras se embolam em minha boca e então me escuto dando uma gargalhada, como se estivesse tudo bem. E está. Está tudo normal.
Está tudo como sempre esteve.
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segunda-feira, abril 15, 2013
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Boas novas não existem.
Pior parte do meu dia é quando eu penso no inteiro que poderia ter se tornado aquele quase que éramos nós dois. Agora estou aqui deitada tentando entender qual foi o exato ponto em que a gente se perdeu um do outro, o momento em que cada um seguiu seu rumo. É isso, acordo todas as noites pensando estar deitada em seu peito e caminho todas as tardes pensando estar ao seu lado e vou vivendo todos os dias guardando você aqui dentro. O tempo não passa e as horas nunca mais foram as mesmas depois de eu finalmente perceber que o nosso quase virou nada e que, depois de você fechar a porta, a janela também estava trancada. Tentei chorar todas as lágrimas do mundo e nenhuma foi derramada de tanto que chorei pra dentro, de tanto que me fechei em mim, de tanto que meu sangue parou de correr pra dar lugar ao choro que tomou conta disso tudo que eu nem sabia ser meu. Dói até essas partes que eu não sabia ter, dói tentar destrancar a janela, dói tentar reabrir a porta, dói olhar o relógio, dói tudo. Dói e eu não tenho mais você pra dizer que vai ficar tudo bem e que algumas músicas curam todas as dores mundo. Dói tudo que é eu depois que o nós parou de existir. Estou trancada em mim e não há canção que dê jeito.
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segunda-feira, abril 01, 2013
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Retalhos.
Mais uma noite insone em frente à tela em branco do computador. Mais uma noite tentando descobrir o porquê das coisas serem assim e o porquê de eu ser como sou. O que falta? Qual a parte que me cabe, mas não se faz presente? Eu nunca sei qual caminho seguir e sempre escolho ficar onde estou, parada, letárgica, morta. Preciso me mover e não sei aonde ir. Direita, esquerda, em frente, distante. Permaneci, fiquei, finquei. O problema é: já não sei mais onde sou. O que restou?
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segunda-feira, fevereiro 18, 2013
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Dos quases.
Às vezes rola aquele aperto no peito seguido de uma vontade de sair correndo sem rumo, sem roupa, ao vento. Sem lenço, nem documento, sem complicações e sem contas pra pagar... mas segunda eu tenho que ir ao banco, na terça eu tenho curso de inglês, quarta tem reunião com o síndico do prédio e assim vão seguindo os dias, as semanas, os meses, passa o ano e eu continuo indo dormir pensando "que bom seria se você estivesse aqui". Finjo que não é ruim, que não faz falta, que a cadeira vazia durante o almoço não tem importância e que o telefone que nunca toca é porque eu peço pra ninguém ligar. Continuo aqui, fingindo que você não vem porque eu permaneço com as portas fechadas, mas é mentira. Quer saber a verdade? Eu passo o dia esperando que você ligue pra gente ir tomar um café, de vez em quando fumo um cigarro fingindo que estou apenas tragando um pouco do seu, semana passada tomei uma dose de whisky porque era o que você bebia quando nos conhecemos e uma vez eu quase, quase, bati à tua porta na madrugada pedindo o abrigo que é o teu abraço. Sabe, eu quase, quase consigo fazer as coisas por inteiro, ainda que me falte um pedaço que é você. Meu problema é que te pedi pra ficar da última vez, mesmo sabendo que você nunca deixaria de ir e que sempre arranjaria motivos pra sair por aquela porta quando eu deveria ser a sua morada. Agora fico sozinha com espaço suficiente para todas as pessoas do mundo que não são você, porque você não está. E olha, eu durmo de conchinha com a solidão todas as noites. Meu medo é algum dia desses eu ainda eu me convencer de que isso não dói.
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sábado, fevereiro 02, 2013
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