A janela.


Você levantou para fumar um cigarro enquanto permaneci deitada sem saber meu próximo passo. Olhou a cidade pela janela como se tentasse decifrar o que as luzes dos carros apressados diziam, como se houvesse um código escondido entre os faróis e as gotas de chuva, mas parecia não entender nada. Nada fazia sentido. Nós dois não fazíamos sentido. Da última vez pensei que não haveria uma próxima, mas lá estávamos nós novamente enquanto eu tentava entender porque que continuamos a ser jogados um de encontro ao outro. E eu até acreditaria ser destino, se você não me tivesse feito perder a fé nos acasos afortunados da vida. Quando o cigarro chegou ao fim e você passou a mão entre os cabelos, pensei que talvez estivesse adivinhando meus pensamentos a respeito de tudo e ignorando meus sentimentos a respeito do que você é enquanto não somos. Eu continuei deitada te olhando como que por medo de você se esvair em lembranças, você continuou em pé mexendo na cortina como que tentando a todo custo ocupar as mãos e a mente com algo que não fosse eu. Eu me forcei a ficar calada, sabendo que qualquer palavra te espantaria e mandaria embora. Você também ficou em silêncio e o silêncio preencheu todos os espaços vazios que existiam entre nós. Nos olhamos e, igual a todas as últimas vezes, fingimos que tudo aquilo não era nada demais. Você foi embora e eu não sei se olhou para trás e não olhar para trás é tão doloroso quanto o fato de nunca olharmos para frente. Você saiu e eu tranquei a porta não sabendo se ainda quero te deixar entrar. O problema é que eu sempre esperarei que você pule a janela.


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E então...

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