Decidi escrever pra desabafar, desafogar, desiludir. Era tudo um
quadro negro esperando a próxima frase-palavra-metáfora-mentira e você jogou
um balde de água, embaçou tudo e me impediu de ler. Des-existiu. Eu só queria
saber o resto da história e transformar as mentiras em verdades, mesmo que por
um dia, mesmo que por algumas horas, mesmo que durante um único beijo. Durante
um leve roçar de barba e pelos e rostos e corpos e mãos e cheiros e vontade. Ainda
acho que a gente se encontra, e ainda acho que eu te beijo, te sinto, te tenho
e me encanto. Ainda acho que a gente precisa des-existir dentro de mim, porque
a dúvida, o não-aconteceu, o o-que-poderia-ter-sido e o quero-que-aconteça
estão me consumindo, me destruindo, me rasgando. Ainda acho que eu te preciso,
só pra depois de tudo eu poder dizer “não te preciso mais”, porque é assim que
eu sou e você quase me mudou. Você quase, quase conseguiu. Seria
mais fácil se tivesse conseguido, se eu tivesse apaixonado, se eu tivesse
experienciado, se eu tivesse te tido. Só
queria dizer que eu aqui continuo tentando. Eu aqui continuo existindo, eu aqui
continuo querendo, eu aqui continuo. Cadê você?
E isso nada mais é do que palavras e frases repetidas, assim como eu
continuo te repetindo dentro de mim.

mas continue existindo.
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