Você vê beleza nas coisas simples e eu enxergo poesia nos teus olhos castanhos. E castanho deveria ser a nova cor do mar, só pra acompanhar tua presença que parece ocupar mais da metade do mundo. Eu não sei como é o pôr do sol em uma praia deserta, mas imagino que traga a mesma sensação de deitar em seu peito estrelado. Porque não esqueço de olhar tua pele sem pensar num céu cheio de estrelas e que se eu ligar os pontos, vai mostrar as notas de uma canção do Jobim. E que se eu prestar atenção na tua fala, vai sair um soneto do Vinícius. E que se fechar os olhos e escutar teu coração, vou ouvir um samba de alguém que não sei o nome, porque nunca fui conhecedora de música, embora hoje eu queira sempre cantar. Eu sempre pedi por poesia em minha vida e a vida me trouxe você, que parece um livro inteiro de poemas. Você merece todas palavras e eu não sei (nunca soube) escrever.
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Olha só, moço.
Olha só, moço da pele estrelada, tu é galáxia inteira com essa explosão de cores, tu chegou pra me colorir a vida. Olha só, moço do cabelo enroladinho, tu veio pra fazer laço e desfazer os nós, tu é tão bonito e faz a vida tão bonita que eu queria ver o mundo com teus olhos só pra ver beleza em tudo que chega... Só pra entender porque tu me olha como se eu fosse tão bonita também. Olha só, moço do peito que se faz lar, tu aqui me faz querer encostar até dormir e só acordar se for pra gravar como fotografia o beijo na testa que tu me dá. Tu beija a testa, e eu fecho os olhos querendo parar o tempo. Olha só, moço do sorriso de ladinho, tu me faz rir até doer a barriga e essa foi a única dor que tu me causou até agora. Será que posso me acostumar com isso? Olha só, moço do abraço quente, eu danço contigo, se tu dançar comigo também. Se tu me chamar, eu danço a noite inteira até o pé doer e eu conseguir voar. Olha só, moço que mexeu minha vida. Tu veio. Tu chegou. Tu vai ficar? Se tu quiser ficar, eu vou querer também. Olha só. Olha pra mim. Eu tenho medo do barulho que o coração faz, mas tu apareceu querendo fazer música.
Olha só, moço.
A calmaria que chega é da cor dos teus olhos castanhos?
(Eu nunca quis escrever sobre você, mas você é maior que as palavras. Elas teimam em sair, mas todas ficam feias se são sobre você).
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Olha só, moço.
A calmaria que chega é da cor dos teus olhos castanhos?
(Eu nunca quis escrever sobre você, mas você é maior que as palavras. Elas teimam em sair, mas todas ficam feias se são sobre você).
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Lorena Granja
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segunda-feira, janeiro 09, 2017
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Você nunca foi embora de verdade. Em todos os cantos e contos tinha você. Em tudo que era eu tinha você. Como uma história antiga, um versão acústica de uma canção de amor, como tudo o que é bonito, você parecia ser brecha de sol que aparece em céu nublado. E eu pensava caminhar só sem perceber o peso da sombra que eu carregava. A sombra de um você-fantasia, um você-perfeito, um você-ainda-não-deu-certo-mas-vai-dar. Você era pedaço meu, história minha, pedaço do mundo. E então eu percebi que tinha certas portas que eu não conseguia passar porque tinha você. Você que sempre me pareceu janela para o novo mundo agora era o que me freava. Como te soltar se eu tinha medo que eu me quebrasse, como se tu que me fizesse inteira? Como se eu só fosse eu enquanto existisse você? Tua parte ruim já fazia parte de mim. Sem você eu pensava que não sabia mais ser. Mas o destino foi cercando... era tudo porta pequena, espaço contado pra eu-sozinha e não eu-você. E agora eu quero entrar. A porta está aberta. Tem um tapete de boas vindas e lá dentro tem alguém chamando meu nome.
Você nunca foi embora de verdade, mas só agora percebi que não recordo a última vez que realmente esteve aqui. Chegou o momento de escolher e dizer:
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Você nunca foi embora de verdade, mas só agora percebi que não recordo a última vez que realmente esteve aqui. Chegou o momento de escolher e dizer:
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Flores.
Sinto necessidade de escrever, mas não sei exatamente sobre o quê. Nenhum pensamento parece muito claro e nenhuma opinião parece concreta. Ter você de volta na minha vida transformou a calmaria forjada num caos. É como se, todo esses meses, minha vida tivesse sido um peça esperando o ato final e esse ato final fosse a tua chegada, a tua volta, a tua presença. Você é a mais clara lembrança do que minha ingenuidade e boa fé podem causar. E então, quando eu havia decidido que espalhar amor e luz é doar pedaços de si até se faltar mais do que se ter (e ser), você volta. E pede um pouco da minha boa vontade. Você pede que eu me doe só mais um pouquinho. Você pede, sem pedir, para que eu esteja lá por você, porque você sabe que eu estarei. Você, como boa folha de outono que decide cair já ao final do inverno, ressurge sabendo que me faço primavera só pra teu caminho ser mais bonito. Você sabe e por isso você vem. Não vou mais me culpar por ser como sou e fazer o que faço, mas olha pro chão com cuidado e não pisa na grama. Porque, apesar de eu continuar crescendo, são tantas reviravoltas que olho pro lado e sim: a do vizinho é sempre mais verde. Por sorte, minha fé diz que ainda é tempo de renascer e florir. Renascer e florir. Nessa ordem.
Por fim, por todos os males:
A culpa é sua.
A culpa é minha.
A culpa é dessa minha mania de sempre querer ver o mais bonito naquilo que há de mais feio.
Mas eu nunca mais vou culpar o amor.
Nunca. Mais.
"Eu pareço pedra, eu queria ser pedra, mas eu nasci flor".
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Lorena Granja
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quinta-feira, outubro 13, 2016
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do eu que é
Ainda somos palavra.
Pensei que éramos apenas eco
De um passado não tão distante
Mas os laços não se cortaram
E tudo parece igual antes
Somos bambu
Que o vento enverga
E a tempestade bate
Mas não quebra
Como um coração flexível
Que nunca se parte
Não há oração que funcione
Para que eu me baste
Ainda somos palavra
E algumas rimas ruins
Me sinto um frágil poema
Da minha vida sem mim
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Lorena Granja
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domingo, outubro 09, 2016
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