Olha, não tem sido fácil. Semana passada me peguei pensando o porquê da gente ser tão triste. Parece que a gente força, que a gente complica, esmaga, prende, martela. Fica aquela vozinha na minha cabeça "'é melhor ser alegre que ser triste', já dizia o poeta, moça", mas como ser alegre se a única coisa que quero é dormir e só acordar quando um dia não pareça mais durar um ano? Vivo tentando ser feliz enquanto sinto esse aperto, essa corda ao redor do pescoço ameaçando enforcar se eu decidir pular em direção ao abismo, ao mesmo tempo em que o chão parece cada vez mais queimar meus pés, forçando uma tentativa de fuga. Qual a alternativa diante de tanta podridão aqui dentro? Acho que, quando eu morrer, vão perceber que meus órgãos estão pretos, vai estar tudo preto por eu ter sido uma fumante da tristeza. Como se eu tivesse inalado a infelicidade do mundo e tivesse me contaminado com a escuridão que tudo é. Pra completar tudo é dezembro, e dezembro é o pior mês. Todo mundo finge estar feliz, mesmo todos sabendo que a vida está uma bosta e não faz sentindo comemorar o Ano Novo se as coisas parecem sempre se repetir. Essa época é a pior do ano e eu pisei em você sem querer, desculpa. Me sinto perdida se não tenho mais onde verificar se ficou sujeira no meu dente. Me sinto meio ninguém sem você dentro da minha carteira. Mas sabe o que é pior? Não ter mais onde olhar pra me lembrar de mim enquanto digo "Sossega, moça, não pula. Deixa o chão queimar teus pés um pouquinho... Relaxa que logo sara". Vai sarar.
Carta aberta ao meu espelhinho.
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Lorena Granja
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quarta-feira, dezembro 19, 2012
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do eu que é
Stuck in reverse.
É isso.
Eu não sei o que fazer da minha vida, não sei pra onde ir e muito
menos o que quero. O pior é que não consigo nem mesmo enxergar um
caminho que eu possa seguir. Cheguei num ponto da vida onde todos
parecem focados numa porta à frente enquanto eu apenas decidi frear. Você já
assistiu Lost in Translation, da Sophia Coppola? Nesse momento eu sou
esse filme, eu sou Charlotte, eu sou o quarto de hotel, eu sou Bob
Harris, eu sou as ruas de Tóquio. Eu sou todo aquele vazio buscando
uma razão pra existir, um sentindo. Preciso desesperadamente de um
motivo pra continuar quando, pra falar a verdade, eu já desisti. A
única coisa que eu tinha planejado pra minha vida eu deixei pra
trás... Sabe
Cristina, em Vicky Cristina Barcelona? Ela não sabia o que queria,
mas sim o que não queria. Eu também sou Cristina. Estou bebendo
vinho num restaurante e procurando um pouco de aventura, porque eu
não sei o que esperar do momento a seguir. Preciso me embriagar. Lembra
quando Izzie ficou no chão do banheiro chorando a morte de Denny? E
nada mais parecia fazer sentindo. Nem ninguém. Estou chorando minha
morte... mas sem banheiro, sem Denny, sem chão. Estou sem chão.
Olho o relógio e não sei o que significam as horas. Eu só quero
dormir enquanto tudo o que preciso é acordar. Por
favor, alguém me dê a mão e me tire daqui. Deite no chão do
banheiro comigo e me diga que logo mais eu posso tirar minhas roupas
e me livrar do passado. Arranque essa pá das minhas mãos e me
proíba de continuar cavando uma cova. Eu só quero ser feliz. Eu só
quero sair daqui. Estou perdida, Barcelona e Tóquio têm me enganado e as
coisas sempre morrem...
Eu só
queria que tudo voltasse ao normal.
E se eu
nunca tivesse o cortado o fio, será que Denny continuaria aqui?
Inteira.
Quis te abraçar, te levar
comigo, te acordar num domingo de manhã e fazer outras coisas sabor vontade, mas
tudo o que fiz foi me manter calada olhando uma parede descascada, cheia de
sonhos rasgados que outrora e sempre tive. Aquele cigarro nunca mais será o
mesmo sem você e a cerveja gelada passou a ter gosto de decepção amarga, azeda,
triste. Até meu filme preferido parece preto e branco, mudo, logo eu nunca
gostei de filmes sem cor, logo eu que sempre gostei de zoada, logo eu... Você
me abraçava como se em teu abraço morasse o melhor do mundo e me fez acreditar
que teus beijos tinham gosto de noite de inverno embaixo de um cobertor quente
e que tuas mãos podiam criar obras de arte e que teus olhos poderiam ver mais
além do que Légolas seria capaz e que você era sonho em vida. Era tudo mentira.
Me doeu tanto que não sei mais o que é verdade. Me dilacerou tanto que já não
sou inteira. Você me mostrou a morte e hoje eu não sou mais.
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Lorena Granja
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quinta-feira, outubro 04, 2012
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do meu que não é
Des-exista, por favor.
Decidi escrever pra desabafar, desafogar, desiludir. Era tudo um
quadro negro esperando a próxima frase-palavra-metáfora-mentira e você jogou
um balde de água, embaçou tudo e me impediu de ler. Des-existiu. Eu só queria
saber o resto da história e transformar as mentiras em verdades, mesmo que por
um dia, mesmo que por algumas horas, mesmo que durante um único beijo. Durante
um leve roçar de barba e pelos e rostos e corpos e mãos e cheiros e vontade. Ainda
acho que a gente se encontra, e ainda acho que eu te beijo, te sinto, te tenho
e me encanto. Ainda acho que a gente precisa des-existir dentro de mim, porque
a dúvida, o não-aconteceu, o o-que-poderia-ter-sido e o quero-que-aconteça
estão me consumindo, me destruindo, me rasgando. Ainda acho que eu te preciso,
só pra depois de tudo eu poder dizer “não te preciso mais”, porque é assim que
eu sou e você quase me mudou. Você quase, quase conseguiu. Seria
mais fácil se tivesse conseguido, se eu tivesse apaixonado, se eu tivesse
experienciado, se eu tivesse te tido. Só
queria dizer que eu aqui continuo tentando. Eu aqui continuo existindo, eu aqui
continuo querendo, eu aqui continuo. Cadê você?
E isso nada mais é do que palavras e frases repetidas, assim como eu
continuo te repetindo dentro de mim.
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Lorena Granja
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quarta-feira, setembro 19, 2012
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do eu que é
Da minha rotina.
Há duas verdades
absolutas sobre a minha vida: sou a pessoa mais desorganizada do mundo e morro
de medo de fantasma. A partir dessas
informações, a história a seguir se justificará.
A lâmpada do
meu quarto está queimada e eu estava procurando um brinco às 00h28am. Decidi
usar a luz do meu celular e comecei a procurar, e então, no silêncio e no breu
do meu quarto escuto um sussurro: “Lorena”. Gelei. Coração parou, coração acelerou,
coração pediu arrego. Parei e prestei
atenção: “Lorena... Lorena?”. É isso, amigos, é isso, irmãos, é isso, Brasil...
tinha chegado minha hora. Era a morte me chamando, ou uma alma, ou o que quer
que fosse, mas tinha alguém me chamando e não parecia engano.
Pensei na
minha família e em como só descobririam que eu estava morta lá pelas 16h, já
que eu dormir até umas 15h é a coisa mais normal do mundo. Era meu fim e eu
ainda nem tinha corrido pelada na avenida mais movimentada da cidade, era meu
fim e eu nem tinha tomado um porre na noite passada, era meu fim e eu não
beijei essa semana, era meu fim, meus caros, e eu morreria sem um tostão no
bolso...
Respirei e
aceitei meu destino. Dei uma última olhada no meu quarto, meu belo refúgio, dei
uma conferida no meu corpo, meu gordo abrigo, dei uma olhada nas minhas mãos,
minhas úteis ferramen... Eita, peraí, o quê é isso? Adivinhem, meus colegas,
meus amados, meus companheiros: liguei pra minha mãe sem querer e nem percebi.
Respirei e
aceitei meu destino: eu sou muito idiota mesmo e não há mais o que fazer.
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Lorena Granja
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sábado, setembro 08, 2012
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