Dos quases.

Às vezes rola aquele aperto no peito seguido de uma vontade de sair correndo sem rumo, sem roupa, ao vento. Sem lenço, nem documento, sem complicações e sem contas pra pagar... mas segunda eu tenho que ir ao banco, na terça eu tenho curso de inglês, quarta tem reunião com o síndico do prédio e assim vão seguindo os dias, as semanas, os meses, passa o ano e eu continuo indo dormir pensando "que bom seria se você estivesse aqui". Finjo que não é ruim, que não faz falta, que a cadeira vazia durante o almoço não tem importância e que o telefone que nunca toca é porque eu peço pra ninguém ligar. Continuo aqui, fingindo que você não vem porque eu permaneço com as portas fechadas, mas é mentira. Quer saber a verdade? Eu passo o dia esperando que você ligue pra gente ir tomar um café, de vez em quando fumo um cigarro fingindo que estou apenas tragando um pouco do seu, semana passada tomei uma dose de whisky porque era o que você bebia quando nos conhecemos e uma vez eu quase, quase, bati à tua porta na madrugada pedindo o abrigo que é o teu abraço. Sabe, eu quase, quase consigo fazer as coisas por inteiro, ainda que me falte um pedaço que é você. Meu problema é que te pedi pra ficar da última vez, mesmo sabendo que   você nunca deixaria de ir e que sempre arranjaria motivos pra sair por aquela porta quando eu deveria ser a sua morada. Agora fico sozinha com espaço suficiente para todas as pessoas do mundo que não são você, porque você não está. E olha, eu durmo de conchinha com a solidão todas as noites. Meu medo é algum dia desses eu ainda eu me convencer de que isso não dói.


3 juras e anúncios.:

E então...

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