18.03

Tem um texto que começa com “Você não sabe, nem sonha, mas acabou de mudar minha vida”, e é isso. Você me mudou. E este aqui é um texto de agradecimento. Obrigada por ter me feito crescer e por ter ensinado tantas coisas que hoje já parecem inerentes a mim. Obrigada por cada risada e cada momento em que me fez acreditar numa felicidade possível. Antes de você eu estava desacreditada e pequena, então você veio e me fez grande. Obrigada por isso. Obrigada por ter aparecido e obrigada por ter ido embora sem olhar pra trás, tua ida me fez ainda maior. Tua ida me fez gigante. Eu já não me caibo e explodo por todos os lados a pessoa que me tornei. Olho pro passado tão recente e vejo minha jornada. Eu não precisava que você ficasse, porque ninguém precisa da presença daqueles que não querem ficar em suas vidas, mas eu certamente precisava da sua vi(n)da na minha. Após sua partida, parecia que eu tinha perdido uma parte de mim, uma perna, e que não conseguiria andar por um bom tempo, mas aqui estou correndo livre, com a cicatriz, mas firme, forte, grande: leoa na savana, mais forte que o rei. Hoje é o seu dia e eu fiquei esperando o fim do mundo. Fiquei esperando a dor que não cabe no peito por eu não me caber mais em sua vida. Esta dor nunca veio. Sentei e esperei. Não. Veio a culpa por não querer chorar, veio o medo por não estar mal, veio o desejo de não desejar nada, porque eu sentei e esperei pelo pior e esvaziei de todas as outras coisas. Me vi triste sentada em meio a tantas gentes, mas não doía e eu pensava que você sempre iria me doer um pouquinho. Você já me doeu muito, mas hoje eu sinto apenas gratidão. Sou porque fui. Sou hoje quem sou porque fui quem era com você, e eu sempre fui linda. Você me fez ainda melhor. Obrigada. Esta é a minha verdadeira felicitação de aniversário, mas não era justo te enviar. Gratidão por cada dia em minha vida, por cada beijo, por cada abraço, por cada lágrima e por cada pôr-do-Sol. Tu era lindo comigo sim, apesar de todos os pesares. Tu foi feio comigo sim, eu sei que você sabe. Mas assim fomos, um com o outro. Obrigada por ter ido embora quando eu tanto insisti para que ficasse, pois não fomos feitos um para o outro, mas fomos feitos para preencher páginas nas histórias das nossas vidas. Vou olhar pra você sempre, sempre, sempre com muito carinho e gratidão e com um desejo enorme de que um dia tu seja livre e feliz, assim como sei que serei e já estou conseguindo ser. Me inflando e me amando, porque tu não conseguiu me amar e descobri que era disso que eu precisava pra me tornar o que sou hoje. Sem você, eu não seria. Obrigada por ter feito parte da minha vida por tantos meses. Não sei se um dia fará parte de novo, se um dia vamos nos cruzar e conseguir nos abraçar de verdade, sem a feiúra dos nossos abraços desencontrados. Talvez nossos caminhos nunca mais se cruzem no mesmo lugar, mas obrigada e parabéns por ter sido luz, ter sido fôlego, ter sido amor e por deixar um tanto de tu em mim. Se eu deixei um tanto de mim em tu também, obrigada por me receber. Obrigada por ter sido tu, e tu é passageiro, eu sabia desde o início. Você é nômade e eu realmente te desejo um dia uma nova vontade de ficar. Nunca vou esquecer os olhos cor de marte que precisaram ir embora pra que eu mesma viesse me encontrar. Gratidão enorme por tudo. Com todo carinho, que vai estar sempre aqui, um coração inteiro de coisas boas. A paz que você ama. A liberdade que você almeja. A responsabilidade que você precisa. O amor em forma de gente, de todos que te rodeiam. Meus mais sinceros: parabéns e tudo de bom.
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O pomo de ouro.

"Eu abro no fecho". E assim preciso seguir. Faz três horas que não paro de chorar e parece que minhas lágrimas são um rio que nunca seca. Quando estou triste por você e tento lembrar de algo bom, é de você que eu lembro. E tudo dói em dobro. Você parece uma doença em mim e dói em todos os lugares. Minha irmã me pegou chorando, perguntou o que eu tinha e quase respondo que tenho você. Mas ela não entenderia, porque as pessoas não compreendem como estou por dentro. As pessoas nos veem pequenos, porque você nunca deixou que fôssemos grande coisa, mas eu nos via do tamanho do mundo e estou proporcionalmente ferida. Têm certas coisas que são sagradas e outras que são sentidas tão fortes quanto ácido corroendo o peito e, se tu soubesses como cada palavra que tu disse me rasgou, jamais as teria dito. Sigo juntando meus pedaços e tentando lembrar que eu sempre fui maior que tudo isso. "Jamais será", lembro você dizendo, em outro, mas parecido contexto. Lembro de cada palavra e não serão esquecidas. Mas de você, eu vou esquecer. Pensei que nosso fim seria o ódio, a raiva e o desgosto, mas será apenas esquecimento. Obrigada por pedir desculpas e me desculpe por ainda não ter conseguido responder que te (nos) perdôo. 

É que eu preciso ME perdoar de verdade.

Esse é mais um texto escrito entre lágrimas e sem beleza alguma, mas com um significado enorme.



Paz é quando você se perdoa. E, mais uma vez, passo por isso.


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Supernova.

          Ainda tem você em todas as esquinas das cidades. Em todo banco que eu sento e no cheiro do meu sabonete ao tomar banho. Tem você quando eu olho pro lado e uma coisa qualquer numa parede branca me faz lembrar de ti, nem que seja o branco dos teus olhos cor de marte. Eu tento não pensar em você todos os dias, mas tentar já é pensar na tua mão em cima da minha e no teu corpo em cima do meu. Não sei se você lembra de alguma coisa, mas eu acho que eu jamais esquecerei coisa alguma. De forma que, se eu fechar os olhos e me concentrar um pouco, é quase como se conseguisse sentir teu cheiro de roupa limpa, tão típico. É quase como se você estivesse por perto sorrindo, e eu juro que consigo ouvir tua risada e te inventar ao meu lado, tornando quase real a lembrança de estar contigo. Alguém já te disse o quanto é bom descansar no teu peito ou como o mundo parece pequeno ao deitar abraçada às tuas costas? Ali no cantinho, a visão dos teus cachos anestesiava as dores que se entregar à vida traz. Era quase - quase - como se valesse a pena quebrar minha promessa de não me apaixonar de novo. Faz uma semana que voltei a te ver, e eu ainda não consegui te olhar nos olhos. Eu tenho medo de cair ao olhar pra eles. Eles, que dizem tudo quando a boca cala. Neles, que cabe um planeta inteiro - e talvez seja essa a razão por eu ter orbitado tanto ao seu redor-. Tu era rei e eu súdita. É assim que, hoje, eu vejo. Todo dia eu acordo e penso "eu estou sentindo menos que ontem, e eu já não choro mais" e isso é mais sagrado do que muita oração minha. É verdade, eu não choro mais, mas eu quase choro todos os dias. Eu quase choro todos os dias porque ainda não consegui recuperar todas as minhas partes que me desfiz pra caber num espaço que nunca foi feito pra mim. Continuo cheia de buracos, e queria que isso soasse poético, mas a realidade é que dói igual ferida física. Tento preencher meus vazios a todo momento, mas os espaços são muitos e enormes e eu sinto falta de mim. Eu sinto falta de você, no clichê de a cada segundo, porque tem você em tudo que eu vejo, cheiro e toco. Mas eu sinto mais falta de mim. Eu quero muito você, sabendo que jamais te terei de novo, mas eu posso ter a mim. E eu me quero de volta. Eu me quero muito. Vai raiar o dia em que eu sorrirei sem pensar nos pedaços que me faltam. Nossa história me quebrou mais do que você ou as pessoas conseguem imaginar e eu estou aos cacos. Mas vai raiar o dia em que não haverá você em todos os cantos. Vai raiar o dia em que tu deixará de ser planeta e eu lua. Vai raiar o dia pra eu voltar a ser Sol.


          Enorme. Quente. Brilhando. Explodindo.
       
       
          Porque nós fomos Supernova.
          Mas eu sou signo solar. E como bom leão que ruge, eu sou rainha e estrela mais forte.
          A luz tem que vir de mim.
          E virá.








supernova:
  1. substantivo feminino
    ASTR
    estrela maciça que, num estágio avançado de sua evolução, explode, passando repentinamente a brilhar de modo muito intenso, para depois ir perdendo lentamente o seu fulgor.

          
   
        
          
          


          


     













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Dos planos.

Houve um tempo em que eu pensava que não haveria mais espaço pra solidão na minha vida, e então você veio e me mostrou que o amor não é essa coisa toda que muitos falam, muito menos essa coisa toda que poucos fazem, mas sim essa coisa toda que todos choram. Venho atravessando dois meses sozinha, quando pensava ter encontrado quem me ajudaria no caminho. É verdade, você nunca disse que ficaria, mas mesmo assim ficava. Ia ficando e fazendo planos. E você não pode fazer planos, se você não pretende ficar. Você não pode fazer planos pra janeiro, se ainda é junho, se você não pretende ficar. Você não pode virar e dizer que não me quer na sua vida, se você me colocou dentro dela e me fez gostar de cada lugarzinho. Você não podia ter feito isso comigo. Você planejou. E planejar é dizer, sem dizer, que vai ficar. E você não ficou.


Você não ficou.


Foi embora no barquinho de papel. 
Enquanto eu, aqui, me debato sem saber nadar.





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Cartas para Ana. 2

Querida Ana,


            Achei que as coisas estavam melhores e passei mais um mês num conto de fadas, mas tudo desmoronou e não sei porque pensei que tudo ficaria bem como estava. As coisas quase nunca são como queremos e, no meu caso, esse quase significa sempre. Eu tenho esse sentimento enorme grudado no peito querendo sair feito lágrima e banho sentada no chão embaixo do chuveiro, mas eu não me permito. Não me permito porque só ele e Deus sabem o quanto já me permiti pra tentar ir em frente, por nós. O quanto me permiti ir além do que eu deveria. O quanto me permiti querer e sentir isso que eu tenho medo de dar nome...
            Cada parte dele tem espaço pra beijo e carinho e jamais esquecerei isso. Mas, não se engane, essa não é uma carta sobre não conseguir esquecer. É uma carta sobre o esquecimento. Hoje eu me peguei tentando lembrar a sensação de um abraço dele, mas eu não lembro, Ana. Eu lembro que é quente, ele é sempre quente. E eu lembro que é casa. Mas eu não lembro mais como é a sensação de estar dentro dos seus braços e me sentir completamente compreendida. Não lembro como ele fica bonito de costas, cozinhando e dançando. Não lembro do calor do beijo na testa enquanto ainda estamos unidos depois de nos amarmos com nossos corpos. Não lembro do cabelo bagunçado e carinha de sono logo após acordar. Não lembro do tom exato olhos cor de marte dele... Mentira, Ana, eu lembro de tudo.  
          Não, amiga, eu não me arrependo por nada. No fundo sei que não e que se tivesse a chance, eu viveria tudo igual. Afinal, foi com ele que aprendi a olhar o pôr-do-Sol com amor e a apreciar pequenas coisas da vida e não quero perder isso nunca mais. Perder os detalhes, sabe? Mas às vezes bate uma angústia tão forte. Bate uma vontade de ouvir a voz, de sentir o cheiro do cabelo, de escutar o som que ele faz e antecede o sorriso. Ele faz o som, e mexe a cabeça e então sorri. E isso é tão lindo que eu queria ter olhos de fotografia só pra registrar o momento e nunca esquecer como alguém pode ser tão bonito assim. Bo-ni-to. E lindo.
        Durante esses dias eu quis escrever (à mão) várias cartas, poemas, dedicar músicas e chorar mil lágrimas, mas cada vez que eu quis escrever algo realmente significativo para ele, eu vim aqui escrever pra você. Ana, eu tenho tentado, mas é difícil quando toda piada fica sem graça se não posso compartilhar com ele. E eu estou tão acostumada a compartilhar tudo que quase por impulso eu mantenho contato, "olha, aconteceu isso", "olha, eu vi isso", "olha, tu soube disso?", e eu só quero gritar: OLHA, OLHA PRA MIM! E o pior é que eu sei que ele me olhou, me viu, me enxergou, Ana. Eu sei. Mas será que ele lembra de mim no dia-a-dia também, Ana? Eu queria muito que sim. É tão difícil...
          Eu fui uma pessoa horrível pra ele nos últimos dias, eu sei disso. Mas só nos dois sabemos. E parece que isso apagou a pessoa-amor que fui nos últimos meses. Eu não consigo lidar com isso, mas eu tento. E eu realmente quero que ele seja feliz, mesmo que não seja comigo. Mas o que me machuca é saber que a felicidade dele não é ao meu lado. Mas o que se há de fazer? Se eu tentei e fui além dos meus limites? E aqui me deixo um lembrete: nunca mais me doar.
          Eu estou exausta. E-X-A-U-S-T-A. Sinto como se fosse um paciente cardíaco precisando de um coração novo. Eu não aguento mais, Ana. E nem quero. Não quero nunca mais querer dividir minha felicidade com outra pessoa. Porque eu só quis isso duas vezes... E das duas eu fui embora juntando meus cacos pelo caminho. A gente pensa que consegue controlar o querer, Ana, mas a gente não consegue. Ele é tão especial, Ana. Não mentiu pra mim, mas eu queria tanto que algumas coisas tivessem sido diferentes. Pra eu ter paz. Pra eu pensar que eu lutei muito, mas ele lutou também, sabe? Ele lutou, ele tentou, mas eu queria que tivesse sido só mais um pouquinho. Há uns dias eu disse uma coisa e ele disse que não, que não éramos, e foi como se ele tivesse enfiado uma faca no meu peito e até hoje ela está lá... Como faz pra tirar, Ana? 
          Eu queria que ele tivesse tentado não ficar com outras pessoas. Ele não precisava tentar gostar de mim, ou me querer, porque isso simplesmente acontece. Mas queria que ele tivesse tentado ficar só comigo, que tivesse a chance e ele pensasse que era melhor não. "Melhor não, eu tenho vontade, mas eu tenho Lorena me esperando em casa". E então, eu teria ido embora tão tranquila, Ana. Porque eu olho pra mim mesma e só vejo que não fui capaz de ser pessoa-amor pra ele não querer nenhuma outra pessoa-aventura.
          Acho que tem uns quatro dias que escrevo essa carta, e está tudo confuso e feio e sendo rascunho. Tudo bagunçado. Eu quero muito que ele consiga amar alguém, Ana. Mas eu tenho tanto medo de isso foder comigo... E eu não quero amar de novo, amiga. De verdade. Meu coração hoje está mais protegido que Azkaban. Mas enquanto isso, estou aqui feito uma idiota cheirando uma toalha que tem o cheiro das roupas dele, Ana. Numa escala de zero a Lorena Granja de ser ridícula, eu estou em qual lugar, hein?
          Um dia depois que tudo ruiu, minha flor morreu, nossa flor. E eu sou muito espiritual pra não acreditar que ela sentiu toda a carga negativa do que houve conosco. Minha Maria Flor morreu. E eu chorei. E fiquei com medo de dizer a ele. E se ele não se importasse, Ana? E se ele não se importasse como ele não se importou em ir olhar o barquinho de papel que deixei para ele em seu caderno? A música fala que se você tem um barco, maior chance de se salvar. E eu queria tanto salvar a gente, Ana. Eu sei que ele não me quer mais como pessoa-amor. E que tentamos que fosse pessoa-parceira. Mas agora acho que pode não ter sobrado nem o pessoa-amiga, Ana. E como superar não ser mais amiga dele, me diz? Nem dos amigos. Nem da família.
       Será que ele pensa em mim um pedacinho do que penso nele, Ana? Será que nem meu barquinho pra nos salvar deu certo? Eu acho que ele me odeia, amiga. Não odiar, mas qual palavra usar? Eu dei tanto carinho, tanto cuidado, eu esperei tanto. Meu Deus, como eu esperei. E hoje ele não curte nem mais nem minhas fotos, Ana. Como se fosse pecado. Como... Como se o quê, Ana? Isso nem mesmo tem explicação. O que isso significa? Isso com certeza significa algo. Eu sou tão indiferente agora que até isso acontece? Às vezes olho até se ele ainda me segue. Se estou bloqueada. Que é melhor do que a simples indiferença, Ana. Do que ver e escolher me ignorar. Porque ele não fez escolhas diferentes? Isso me afeta. Porque vejo que são só as minhas. É só comigo. Sou eu. E o barquinho? Eu quero tanto entender tudo. São os detalhes, Ana... São sempre os detalhes... Às vezes nem parece ele, sempre tão atento a isso...
        Continuarei enxergando ele com os olhos do meu coração, Ana. Sabe aquelas histórias de quase-amor em que quando falam salta sempre um brilhinho no olho? E não mais por querer estar com ele ainda. Mas porque ele é bo-ni-to. E lindo.
          Eu só queria que ele se importasse com o barquinho, Ana. 



Para assistir:




















         
          
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