Cortejo fúnebre.


Quando o amor morre, é triste.
E a morte do amor é mais triste que

vaso quebrado
coração partido
sonho roubado
verso esquecido


E então o amor morre
Como poesia perdida

Rima disforme
Dor retorcida


A morte do amor 
É um pedaço de um poema
Jogado fora
Que nunca virou canção
Nem nunca será
E além dessa morte
Nada mais vingará
Read More

Do perdão.



Hoje, finalmente, olhei pra trás e me perdoei. Por todos os meus excessos, por todas as minhas dores e por todas as vezes que me culpei por coisas que não tive culpa alguma. Olhei pra mim e disse: eu me perdôo. Tenho estado pensativa, corpo presente e mente não sabia por onde andava, mas descobri... eu estava em mim. Me entendendo, me revendo, me compreendendo. E me perdoando. Eu me perdôo. Eu me perdôo por ter aberto minhas portas e por tanto ter me doado e me doído por quem nunca se doou para mim. Eu me perdôo. Eu estou perdoada. Eu finalmente me perdoei. Eu me perdôo porque eu não sei o exato porquê de ter passado por tudo isso, mas entendo que precisava passar por tudo o que passei. Eu me perdôo por ter amado um outro mais do que a mim mesma. Eu me perdôo por todas as vezes que não fiz por mim, mas fiz por ele. Eu me perdôo por ter sofrido tanto que pedia para não acordar no dia seguinte. Eu me perdôo por ter chegado a acreditar que não merecia ser feliz. Eu me perdôo por passar semanas numa cama sem vontade de viver. Eu me perdôo por ter me humilhado por quem nunca me olhou de verdade. Eu me perdôo por ter sido base e escada para quem nunca foi meu ombro. Eu me perdôo. E talvez eu precise me lembrar disso todos os dias por algum tempo, mas me perdoei. Perdoar não é esquecer, e irei sempre lembrar. Mas perdoar é deixar tudo leve. Hoje eu li: paz é quando você se perdoa. E, compreendi: essa estranheza que não sabia dar nome se chama perdão. Amém.


PS.: esse não é um texto bonito e poético. Esse é um texto sobre perdão e o perdão em si é poesia. 
Read More

Lírios brancos.

Mas

Eu acredito no poder tempo
E no poder do amor
E aquilo que hoje não floresce
Amanhã pode ser flor

Read More

Das metáforas.


"Eu tinha a impressão que esse ano eu me sentiria diferente, mas isso nunca acontece".


Noite passada eu matei uma barata e então percebi: a barata sou eu. Essa não é uma divagação filosófica e tampouco sou Kafka, mas me vi barata e lá estava eu sofrendo no chão do banheiro. Entrei no banheiro e ela estava lá, enorme, quieta no canto. Peguei uma sandália e a esmaguei. Suas entranhas estavam todas pra fora, suas pernas esmagadas, suas antenas quebradas, é isso, eu tinha matado aquele monstro. Virei as costas e saí. Voltei com a pá, mas a barata se mexia. Toda estrepada, sofrida e se a barata falasse, estaria gritando de dor, mas estava lá: viva. Se mexendo. Se arrastando. Uma sobrevivente nesse mundo cão. Me reconheci e então, comecei a chorar. Sentei no chão do banheiro, junto à barata que era eu, e chorei. Esse texto não é ficção: eu chorei no chão do banheiro, junto à barata que era eu, numa noite de quarta feira. Mas eu não era bem a barata, o amor que eu sinto o é. O amor que eu sinto é um monstro, cheio de patas, podre, pisado e cuspido, mas sobrevivente. Que tipo de amor é esse que se arrasta com as entranhas pra fora, todo quebrado, todo partido, um amor zumbi, quase morto, mas ainda caminhando? Seguindo? Eu sentei ao lado da barata e chorei. Aquilo era eu? Eu sou isso? As pessoas me vêem assim? Chorei. Depois de tudo, depois de tantas mortes, como isso ainda sobrevive dentro de mim? Entendi como nunca porque consideram as baratas uma praga, entendi como nunca como eu sou e como me enxergam. Entendi como nunca que o meu amor é isso: a quase morte. Ainda chorando, peguei a sandália e terminei de matar a barata. Me levantei e saí. Deixei a barata lá. Hoje pela manhã, verifiquei: estava morta. Senti pena, quis chorar novamente. Será que eu também conseguirei morrer? Sou há tanto tempo esse amor quase morte que já me misturo e não sei mais ser sem, ser só. Ser eu. Não quero mais ser barata. O que falta pra eu morrer e finalmente voltar a ser vida? Não quero mais ninguém me pisando, mas quero deixar de ser isso. Vou descobrir um jeito. Se a barata que sou eu morreu, eu que sou quase morte, também morrerei. Não terei pena. Não terá lágrimas. Não mais.

Serei só eu.

Read More

Das partidas.

Eu vinha evitando escrever, porque escrever é legitimar a palavra e eu não queria reconhecer minha partida. Me pergunto se um dia nos abraçaremos com alguma sobra de carinho e/ou se continuarei a te enxergar, em vez de apenas te ver passar como uma sombra que ainda insisto em querer ver como luz. Meus olhos te reconhecem apenas como saudade onde um dia tudo era somente amor e, de vez em quando, acordo no meio da noite pensando ainda ter você, mas você nunca foi meu ao passo de que sempre fui inteiramente sua.
Esses dias desfilei a vida nas avenidas tentando esquecer tua morte, mas nunca pensei que fosse ser tão difícil carnavalizar enquanto se está de luto. O pior de chorar seu fim é a consciência de que morreu em mim somente ideia que eu tinha de você, enquanto o sentimento continua gritando e se acreditando imortal.
Me sinto vivendo o luto de algo que nunca verdadeiramente morre. Mas, sabendo que não há caminho em frente, ouso finalmente dizer uma palavra sobre nós dois: adeus. Dessa vez sem medo. Sem ilusões. Sem sonhos. Aquele adeus de quem vai embora porque não tem mais lugar para ficar.
E eu vou embora te amando tanto quanto ontem, mas sofrendo menos que semana passada.

Deixo esse texto inacabado, porque eu - que sempre fui tão fã de reticências - preciso deixar algo em aberto já que pus um ponto final no nosso passado que nunca existiu.







Read More

© 2011 Juras e anúncios falsos., AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena